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sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz Ano Novo

Mais um ano a findar e outro a iniciar. Seja bem-vindo.

Perante tanto negativismo vamos tentar ser optimistas, manter a chama da esperança bem erguida para que essa luz que transporta em si se expanda pelo mundo.

Civilizações antigas diziam que 2012 seria o ano de mudança, vamos lá mudar o mundo, começa pelo teu, aquele onde te moves, familiar, profissional e social, dá o primeiro passo, começa por dar o exemplo, outros te seguirão, e se acreditarmos a mudança dar-se-à e irá propagar-se pelo mundo, mas tem de começar em nós, e não ficar à espera que sejam os outros a dar esse passo.

S. Francisco de Assis deixou-nos uma belíssima oração, independentemente do seu carisma cristão, pode ser pronunciada por qualquer crente de qualquer religião, ou mesmo os que não crêem em qualquer uma.


É tão bonita, vamos dar-lhe uso.

Senhor fazei de mim instrumento da vossa paz.

Onde houver ódio que eu leve o amor.

Onde houver discórdia que eu leve a união.

Onde houver dúvidas que eu leve a fé.

Onde houver erro que eu leve a verdade.

Onde houver ofensa que eu leve o perdão.

Onde houver desespero que eu leve a esperança.

Onde houver tristeza que eu leve a alegria.

Onde houver trevas que eu leve a luz.

Mestre fazei com que eu procure mais consolar que ser consolado.
Amar que se amado.
Pois é dando que se recebe, é perdoando que se é perdoado.




Feliz Ano Novo para todos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Feliz Natal

Feliz Natal para todos os que visitam o meu blogue.
imagem da Net

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Negócios da China

Os portugueses souberam hoje que a China comprou a EDP (Eletricidade de Portugal).
Não sei se é positivo ou negativo este negócio, depois se verá.
Já agora como serão as faturas? Serão impressas em caracteres chineses? Também não seria muita a mudança, em relação às actuais, pois tudo nelas é enumerado para pagarmos sem perceber exatamente o quê, ou já seria em chinês? Daí não percebermos é claro. E eu que julgava-me burra! Tenho é de aprender mandarim.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Estado de choque

Hoje a conversar com uma "amiga" fiquei quase em estado de choque.
Estávamos a comentar a demolição do bairro do Aleixo em Vila Nova de Gaia, um bairro social construído em 1973 para alojar famílias carenciadas, enquanto eu lamentava a sorte dos moradores em geral, mesmo sabendo que era um bairro problemático, onde a violência , droga e prostituição estavam no seu reino, dizia que ao serem realojados noutro bairro periférico seria como se fossem confinados a um "gueto", e nada mudava porque a violência, droga e prostituição iriam manter-se, é caso para dizer que se mudam as moscas mas não se muda a m....
E continuava a defender a minha opinião dizendo que tinham direito a regressar a um novo bairro situado no mesmo local, isto é se fosse construído um novo bairro social, mas não aquele espaço vai ver nascer um empreendimento privado, para a elite, para os VIPs, porque o espaço se situa numa área com uma paisagem magnífica, com vista sobre o rio Douro, ora é claro que isso não é para gente do bairro, principalmente social.
A minha "amiga" em resposta diz brutalmente que ainda bem que é assim, a "gentinha" do bairro social só deveria ser desalojada, fosse lá para bem longe, para o tal "gueto" pois os drogados, prostitutas, e quem desencadeia atos de violência deveriam ser todos metidos no mesmo espaço, e sem o dizer mas sei que pensou, afastados da sociedade, fiquei em choque, tentei refutar essa opinião dizendo que as coisas não se resolvem assim, que também são seres humanos e que não temos o direito de os marginalizar, e blá!blá!blá...
Interrompe-me bruscamente com raiva na voz dizendo que essa gente deveria era ser morta, perguntei-lhe se era nazi, pois também era adepta da "solução final", tiram as pessoas das suas casas, colocam-nas em "guetos" e depois eliminam-se, porque são indesejáveis, a humanidade não precisa dessa escória. Ainda para completar a sua tese declara que os ciganos também deveriam desaparecer, só sabem roubar, portanto outros condenados à "solução final".
Quando tentava argumentar dizendo-lhe que a sociedade só mudaria quando as mentes mudassem, a começar pelo mais básico, não descriminar, não dizer aos filhos que não se brinca com aquele menino ou menina porque é cigano, que falar com uma prostituta não implica enveredar pela profissão, que aliás deveria ser legalizada e ter todos os direitos laborais, que não deveríamos fugir a sete pés dos drogados porque nos podem viciar, legalizamos o vicio, assim já não haverá tanto filho da p... a encherem-se à custa destes desgraçados, e mais quem nos garante que algum dos nossos mais próximos não caia nesse vicio, quem tem telhas de vidro não atira pedras ao telhado do vizinho. Esta demagogia nazi já me estava a deixar chocada, quando ainda afirma que o que cá fazia falta era um Salazar e duas ou três PIDES, resolvíamos todas os nossos problemas sociais e Portugal tornava-se o paraíso, ninguém queria sair de cá, para quê? Tínhamos tudo garantido, mas para ela que no tempo do fascismo nunca passou privações, aliás pelo que conta era uma menina da sociedade, é lógico que tenha saudades desse passado. A amizade que sentia por ela ficou um bocado abalada, mas como respeito a opinião e sentimentos dos outros tentarei ultrapassar a desilusão que ficou em mim.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Conto de Natal

Era uma vez...

Para ser mais rápida, sabemos que os contos começados por era uma vez são sempre muito longos, vou resumir o conto.

Foi um menino, fez-se homem, um dia encontrou a"princesa dos seus sonhos" e casou.

O primeiro Natal que passaram como casal foi estranho, principalmente o comportamento dele, muito bizarro, simplesmente desapareceu, depois de jantar com a família da esposa, chegou no dia vinte e cinco às sete da manhã como se nada tivesse acontecido, como se apenas tivesse ido à janela apanhar ar e ver as estrelas no céu.

A esposa, como é óbvio, tentou saber o porque desse comportamento, não obteve resposta. Para quê? Ela não precisava de saber. Ele tinha direito aos seus segredos. Ou não?

Os Natais foram sucedendo-se , e o comportamento, ainda que mais comedido, nunca deixou de ser um comportamento desenquadrado da data festejada. Sempre que terminava de jantar, entrava num mutismo que só quem não queria ver é que não via, umas vezes deixava-se dormir no sofá, outras ia direto para o quarto, para se deitar, nunca ficava para a ceia e para a troca de prendas. Há uns anos que o Natal é passado na casa da filha, e isto implica que o comportamento desviante seja mais discreto, já fica até ao fim, ainda que sentado no sofá, algumas vezes a dormitar, e sem participar, (uma vez, foi "obrigado" a vestir-se de Pai-Natal, Ah!ah!ah!.....).

A esposa depois de um desses Natais passados voltou a insistir na pergunta: Qual a razão desse desconforto e indiferença? Muito relutante lá respondeu.

Quando criança sofreu um trauma psicológico e emocional nesta quadra, devido ao facto de ter recebido uma prenda insignificante, mas não foi a prenda em si que o traumatizou, mas o facto da irmã ter recebido uma prenda mais dispendiosa e comprada no estrangeiro.

Este conto não é o "Conto de Natal" de Charles Dickens mas também tem um fantasma, um fantasma de um Natal passado, mais concretamente o fantasma da boneca espanhola, pois foi essa a prenda da irmã, que veio diretamente de Badajoz, aqui se vê como uma pessoa pode ficar traumatizada, o gesto, a atitude, é muito importante, a sua prenda também deveria ser espanhola, assim não dava aso a ter este comportamento ridículo, que fez chorar algumas lágrimas à esposa.

Atualmente é um tema para brincar, e até ele já vai rindo, mas a esposa lamenta foi de não lhe oferecer num desses Natal uma boneca espanhola, daquelas vestidas à sevilhana, talvez o trauma fosse ultrapassado, até já a família diz que lhe oferecem uma, ainda ninguém tomou a iniciativa, mas quem sabe, um dia...... Eu já dei a minha opinião, e aconselhei a oferecerem-lhe uma boneca espanhola insuflável, a outra já não seria adequada à sua idade, e com esta poderia divertir-se na noite de Natal..

sábado, 3 de dezembro de 2011

Apresento o meu mais recente amigo, o Obélix, é um bulldogue francês, tem cinco meses, é meigo, brincalhão, inteligente, e muito guloso.





domingo, 27 de novembro de 2011


Caramba! tenho mesmo de aprender italiano. Esta voz mexe com o meu lado romântico, mas que agora se limita apenas à música, à literatura e ao cinema, na vida real não quero nada com esta forma de sentir o amor, é demasiado doloroso.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011



Hoje dediquei-me à Aromaterapia com rosmaninho e alecrim, tenho verdadeira paixão por estas plantas. Purificam, protegem, e deixam um perfume agradável pela casa.





terça-feira, 15 de novembro de 2011

Dito e feito

Ontem, de manhã logo ao romper da aurora, o tal objeto voou direitinho ao contentor do lixo, pois se tinha dito na véspera que "amanhã é outro dia" não podia adiar para hoje. Demoro muito tempo a tomar decisões, peso os prós e os contras e entre eles ainda faço intervalos, mas quando decido é de vez, não há retorno, e isto em todas as áreas da minha vida: sentimental, moral, económica, social, politica, etc, agora não me lembro de mais. O que isto tem de errado é que penso demasiado, perco demasiado tempo a pensar e a decidir e deixo passar oportunidades e experiências únicas, que nunca mais se repetirão, e algumas delas poderiam mudar o curso da minha vida, não sei se para melhor se para pior, agora resta-me, para me consolar, pensar que o meu "destino" já estava traçado. Deitar o dito objeto para o lixo deu-me prazer, significando isso que muitos mais irão ter o mesmo destino, e não vou demorar muito tempo a ponderar sobre o assunto, deixarei apenas guiar-me pela intuição. E já não vou deixar para amanhã, é na hora, assim que identificar o tal objeto, voa para o contentor do lixo. Vou tentar usar o bom senso porque poderei cair no oposto, pensar em demasia, mas que isto dá uma estranha sensação de prazer e de euforia isso dá!

domingo, 13 de novembro de 2011

Há um tempo para tudo

Sigo um blog, o "Canto do Feng Shui", cuja blogista está sempre a dizer que devemos eliminar objetos, ou porque estão partidos, falhados, porque carregam energia negativa, porque alteram o nosso equilíbrio, etc, etc.
Gosto muito de ler o blog, mas sinceramente nunca me dei ao trabalhos de eliminar esses objetos, ou mudar outros, mas comecei a prestar mais atenção aos conselhos, e vai dai já me lancei nessa "cruzada", de vez em quando lá vai para o contentor do lixo, para a reciclagem, se for o caso, ou para doação algum desses objetos, como por exemplo: os falhados, descascados, móveis, roupas que ia guardando desde o século passado. Também já mudei a disposição de alguns móveis, e como gosto muito de plantas vou sempre colocando algumas pela casa, mas agora vou começar a prestar atenção ao local onde as coloco.
Hoje, estava longe de pensar em tal assunto, de repente vejo um objeto que já deveria ter enfiado no contentor do lixo há muitos anos, desde que soube que a pessoa que me o ofereceu é (foi) daquelas que pela frente mete-nos no coração, pelas costas apunhala-nos. Ao conservar este objeto estou a carregar a minha casa de energias negativas que por sua vez provocam atritos e confrontos entre os membros da família. Agora nunca mais paro, vai tudo fora, vou dar mais atenção ao blog e usar todos conselhos que me possam ser úteis afim de encher a minha casa de boas energias e harmonia. Começo amanhã porque hoje está a chover e já é noite. "Amanhã é outro dia".

domingo, 6 de novembro de 2011

A liberdade de escolha pertence-nos

No silêncio e na solidão forjamos o aço da alma, aguçamos o espírito da lucidez, encontramos-nos com o amor incondicional, amadurecemos em sabedoria.
Para que possa acontecer é necessário, fundamental mesmo, que o silêncio e a solidão sejam desejados, caso contrário nada se alcança, quando impostos conduzem à revolta, à tristeza, à depressão, à alienação.
Precisamos de aprender a dosear estes conceitos, pois nem tanto à terra nem tanto ao mar, é uma aprendizagem intuitiva, de quando se tornam necessários, quando precisam de ocupar o seu lugar em nós.
Nessa aprendizagem vamos apercebendo-nos que amadurecemos em sabedoria, podemos até tornar-nos sábios, que como sabem não é a mesma coisa de culto, essa é outra forma de aprendizagem que não interessa aqui referir.
No silêncio e na solidão aprendemos a amar-nos, e a sua consequência é o amor incondicional, é obrigatório amar-nos para sabermos amar o próximo.
Outra consequência é sentirmos a alma a fortalecer-se, tornar-se leve, vibrante, podendo elevar-se ao infinito, e aqui cada um entenda como quiser. A lucidez do espírito aguça-se no silêncio e na solidão, que fará de nós humanos melhores.
É extremamente difícil, muita gente tem dificuldade em fazê-lo, recolhermos-nos em silêncio e na solidão, visto que o Homem é um animal social, e para muitos isso acarreta uma força de vontade superior e um despojamento da vida quotidiana que não estão dispostos a abdicar.
Mas se por curtos espaços de tempo, no inicio são mesmo muito curtos, tentássemos "mergulhar" e buscar em nós a serenidade que esse momentos proporcionam, seria mais que provável que esses momentos iriam aumentar e prolongarem-se mais tempo, e, creio que sim, as mentes se fossem libertando de tanto negativismo, contribuiríamos em beneficio da humanidade e do planeta que lhe serve de morada com pensamentos positivos, incluindo amor, paz, perdão, compaixão, emitidos por todos nós iriam atingir os que nos rodeiam, e se formos mais ambiciosos indo ainda mais longe, como força avassaladora até aos confins do mundo, e deste modo fazer dele um mundo melhor, um mundo novo. Acreditem, o pensamento tem muita força, depende de nós aquilo que pensamos.

sábado, 5 de novembro de 2011

Crescer espiritualmente

Escrevi neste blog, já faz dois anos, que me identificava com Perséfona-Kore, do livro "As Deusas em cada Mulher" de Jean Shinoda Bolen, mas que, para ser mais precisa, tinha todas as deusas em mim, ainda que mais discretas. Passado este tempo, amadureci, é verdade sou uma mulher madura sendo natural que haja uma amadurecimento mental e espiritual, obviamente paralelo ao físico, o que sempre não acontece, como sabemos há gente que não cresce mesmo.









Hoje tenho pensado seriamente nessa faceta, e embora continue a ter um pouco de Perséfona-Kore, e a sentir todas as outras deusas, reconheço que a deusa criança (Perséfona-Kore) se tornou Perséfona a Rainha, com a ajuda da deusa Hécate, e se demarca, deixei de ser a vítima, voltei dos "infernos" (psicoses) para onde me arrastaram, ou deixei que me arrastassem, vou-me libertando dessas vestes inúteis, (restam apenas uns farrapos), sinto-me cada vez mais recetiva ao conhecimento, fascinada pelo oculto e pelo mistério, de apreciar a imaginação e os sonhos, de explorar as capacidades psíquicas que sei que tenho. Talvez ainda vá algumas vezes aos "infernos", mas destas vezes vou em auxilio dos outros, se conseguir tirar alguém de lá, não me deixando afetar, o meu objetivo é alcançado, se não for possível, ainda que lamente o fracasso, tenho de regressar, já lá estive demasiadas vezes para não aprender as lições, e algumas foram bem duras, sobrevivi e alguma razão haverá, ainda não encontrei resposta, mas estou no seu limiar.

Imagens da Net


























domingo, 30 de outubro de 2011

A "dor" (notícia) chegou, brutal, e deixou-me o coração a "sangrar", mas a minha Fé continua a ser imutável, ainda mais firme, mais fortalecida.

" O Senhor é a minha luz e a minha salvação; a quem temerei? O Senhor é a força da minha vida; de quem recearei?" Salmo 27

"Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á. Mateus-C 7- 7

domingo, 23 de outubro de 2011

Chegou!


O outono chegou! Mas vem muito mal disposto, com cara de inverno. Onde estão os suaves entardeceres, com o sol a despedir-se numa orgia de cores, as folhas bailando com o vento, a chuva caindo de mansinho, as nuvens brincando com o sol o jogo das escondidas, o doce cheiro da terra? Será que com tanta mudança climática passamos a ter apenas duas estações, verão e inverno? Quero o outono novamente de volta para poder maravilhar-me com toda a sua beleza!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Um dia irei até aqui para pescar (meditar)!



quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Refúgio

Esta praia chama-se praia do silêncio, situa-se na província das Astúrias em Espanha, é exatamente aquilo que preciso neste momento, vou até lá, e não sei quando volto, do silêncio é claro, não é que não gostasse de ir e ficar em silêncio na praia, mas é impossível por agora, talvez um dia possa lá voltar.






domingo, 9 de outubro de 2011

(Des)conheço

"O casamento com o controlador é um dos mais difíceis tipo de relacionamento que uma testemunha exterior consegue compreender. Os controladores são genuínos antivida, assassinos da energia, cobertores ambulantes que abafam qualquer iniciativa.
Para começar sentem-se sempre insatisfeitos no território da outra pessoa, não conseguem gostar de nenhuma festa que não sejam eles a dar. Não conseguem gostar dos amigos dos companheiros porque esses desconhecidos podem não os achar nem aceitar como "seres superiores" que são."

Passado Imperfeito - Julian Fellowes

Posso acrescentar que nunca ficam felizes, pelo contrário, com a realização de qualquer projeto dos companheiros, eventualmente sabotando-lhe o projeto e até fazendo-o descrente da sua própria força. Não suportam que os companheiros se possam divertir senão na sua presença, e ainda assim terão de ser comedidos nessa manifestação, pois não aceitam "perder o brilho" para os outros, deixarem de ser o centro de atenções.


Não aceitam que os companheiros tomem iniciativas sejam de que âmbito forem, pois isso traduz-se na perda de controlo que indubitavelmente levaria à descoberta da sua insegurança, usando aqui a psicologia, estes indivíduos são extremamente inseguros, e fazem uso do controlo para se protegerem de modo a que as testemunhas exteriores não tenham conhecimento dessa insegurança.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Um longo verão

O verão continua a marcar presença no outono, o calor, que leva os praistas a estender a toalha para se bronzear, o mar cuja água está com uma temperatura excelente, o uso de roupas leves, frescas e reduzidas, continua a fazer-se sentir. Para os adoradores do calor, não estou a dizer do sol, ele está aí, é mesmo calor tropical. Mas, há sempre um mas, o outro lado da questão, é que este calor já começa a fazer sentir os seus efeitos prejudiciais pois não chovendo a nossa agricultura, que já é tão insignificante, já está a sofrer esse efeito, como sabemos sem água nada vive, neste caso faltando alimentos da terra os outros seres vivos são também afectados. Mas quem é se se preocupa com isso? É só ir às grandes superfícies comerciais, há lá de tudo, e vem do estrangeiro que até é mais barato que os nossos produtos. Que se lixe, vamos é curtir uma praia meu!
E o aquecimento global? existe ou não existe? Ou este calor não lhe está de todo associado? Será preocupação a mais da minha parte? "Só sei que nada sei" sei apenas que é calor excessivo para a minha saúde e beleza. Tenho dito!

domingo, 25 de setembro de 2011

Extreme Makeover

Com o começo do Outono senti um apelo irresistível para mudar tudo aqui em casa, começando por algumas obras essenciais até outras que sem o serem pudessem modificar alguns espaços apenas pelo prazer estético. Se pudesse toda a decoração seria alterada, dava preferência a uma decoração minimalista, estou farta de tanta "tralha".
Na verdade há já uns tempos que vou tendo coragem de me desfazer de alguns objetos completamente inúteis, mas que continuava a manter apenas pelo valor afetivo, ainda conservo muitos, é apenas questão de tempo para fazer a reciclagem sentimental, e depois desfazer-me deles.
Mudar tudo como gostaria é , devido à crise, impossível, mas ir libertando espaços já é um começo, depois um dia vai sair-me o euromilhões, serei excêntrica e poderei fazer a mudança radical.
Esqueci-me que para ganhar tenho de jogar, ora bolas esqueço-me quase sempre, assim é que não me sai nada. Vou lembrar-me, já basta a falta de sorte no amor.

"Quando Nietzsche chorou"




O talento de Irvin D. Yalom criou esta obra genial, onde duas figuras ímpares, Josef Breuer médico distinto e um dos pais da Psicanálise se encontra várias vezes com Friederich Nietzsche filósofo, para conseguirem, cada um usando o seu método, a cura para os seu respectivos padecimentos, físicos e psicológicos.
Aprendendo a conhecerem-se um ao outro e principalmente a si próprios no decorrer dos encontros, é provável que nunca se tivessem encontrado, e talvez nem se conhecessem, mas isso não impediu o autor de concretizar esses encontros nesta obra criando "uma história maravilhosa acerca do amor, da redenção, e do poder da amizade". A obra é em parte ficção, exceto os documentos e cartas autênticos que o autor pesquisou e usou.
Nesta obra aparece algumas vezes, de modo discreto, Sigmund Freud, é ainda um jovem estudante, aluno do Doutor Josef Breuer.

Irvin D. Yalom - Psicoterapeuta e professor "Emeritus" de Psiquiatria na Faculdade de Medicina da universidade de Stanford

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A crise

De tanto ouvir comentar a crise também quero fazer o meu modesto comentário, não servirá para nada nem para ninguém, mas ainda assim vou fazê-lo, de vez em quando gosto de um pouco de "veneno", suavizado pela "doçura" das palavras.

Quero confiar que esta crise que vivemos não leve a vermos-nos "gregos", mas tenho dúvidas apesar dos elogios que merecemos dos "todos poderosos" que nos têm sob a sua alçada.
Será que dá para confiar?
O meu lado pessimista desconfia, o meu lado idealista ainda alimenta a esperança num futuro prometedor. Que o sacrifício que nos é pedido seja dentro de dois anos recompensado e possamos ver "o pote no fim do arco-íris", e que o "pote" contenha tudo aquilo que nos é prometido, o futuro o dirá. Acima de tudo que possamos evitar a experiência grega, toda a onda de violência que em nada beneficiou o país.

domingo, 18 de setembro de 2011

Viagem virtual

Hoje para não ficar com a "birra" vou ali e volto mais tarde. Os domingos começam a ser uma "seca", e hoje com esta nortada que me deixa os nervos em franja ainda é pior. Para me acalmar vou dar uma volta virtual ao longo desta estrada, porque infelizmente não a posso dar na realidade. Informo que a conheço muito bem, daí ser possível dar essa volta, basta recorrer ao banco da memória, e esta por enquanto é de "elefante".

Portela do Homem-Serra do Gerês-Portugal






sábado, 17 de setembro de 2011

A heroína

Chamava-se Rosa, mas todas a conheciam por Ti Rosa Trapeira. Trapeira pela actividade que exercia, que consistia em recolher lixo que fosse possível aproveitar, naquele tempo ninguém falava em reciclagem, para depois vender, para além dessa actividade desdobrava-se por outras tantas que surgissem.
Era casada, o marido era um homem sisudo e rude, para mim, como criança que era, via-o como um brutamontes e mau como "as cobras", como ouvia dizer aos adultos, tratava-a mal, dava-lhe grandes enxertos de pancada, agredia-a verbalmente, obrigava-a a trabalhar arduamente para sustentar a família, tinha dois filhos, um rapaz e uma rapariga, não lhe dava praticamente nenhum dinheiro.
A Ti Rosa labutava de manhã à noite em tudo o que lhe pudesse render uns tacanhos escudos, a recolher e vender lixo, nos trabalhos agrícolas, na região onde morávamos havia uma série de quintas onde efectuava esse trabalho; apanhar fruta, legumes, ceifar, etc, muitas vezes a acompanhei nestas actividades, vistas por mim como divertimento nas férias escolares.
Era quase diariamente que via essa violência, que se refletia num envelhecer prematuro, no sorriso triste, nos olhos inchados de tanto chorar, mas nunca lhe vi um movimento ou palavra de revolta para impedir o agressor de levar avante a sua tirania, era em silêncio que recebia brutais bofetadas, socos e pontapés. Quando o brutamontes chegava a casa, muitas vezes embriagado, a juntar à ruindade era também alcoólico, se as coisas não eram ou não estavam como queria era certo e sabido que a Ti Rosa levava por tabela, era raro o dia em que eu não ouvia aquele "teatro", depois de satisfazer os maus instintos pegava-lhe pelos cabelos e atirava-a pela porta direitinha à rua, ou para o quintal, e ali ficava aquela pobre fizesse frio, calor ou chuva, passava a noite enrolada sobre si própria como um cão. Os filhos pré-adolescentes nunca intervinham, ainda que o pai pudesse matar a mãe nunca intervinham tal era o pavor que tinham dele, assim como os vizinhos também não intervinham, como era usual dizer, fazia parte das regras da sociedade hipócrita e preconceituosa da altura, que "entre marido e mulher ninguém mete a colher", o mesmo que dizer que ninguém tinha o direito e o dever de defender o agredido, mesmo que o agressor lhe causasse a morte.
Sentia uma repulsa tão grande por aquele homem que sempre que ele chegava a casa, numa motorizada, eu escapulia-me rapidamente para casa, assim como a filha para a sua, quando ouvíamos o som da motorizada, se estivéssemos na rua, morávamos em casas que tinham entre si outra casa, morarmos assim lado a lado era fácil assistir a toda essa "tragédia" que me fazia sentir solidária com a vítima, e tentava com a minha inocência minorar esse sofrimento indo com ela e com a filha para as suas actividades, assim não se sentiria tão só, e, usando a voz vinda do coração, pedia muitas vezes ao meu pai que a deixasse dormir dentro do seu carro, na garagem, com um cobertor de modo a proteger-se do frio ,quase glaciar, que o inverno nos oferecia, quando o "dedicado" marido a ponha na rua.
Os filhos fizeram-se adolescentes e começaram a trabalhar, o pai não os deixou estudar mais, um dia, nunca ninguém imaginaria tal desenlace, a Ti Rosa chamou um vizinho que tinha uma carroça puxado por um burro e despejou a casa de todos os "tarecos" que lá havia, deixou no chão um colchão, lençol, manta, almofada, um tacho um prato e talheres, o fogão e a roupa do brutamontes.
Durante anos, como formiguinha paciente e trabalhadora, foi amealhado dinheiro que colocava em latas, que por sua vez enterrava na terra do quintal, esta não tinha plantas, mas pode-se dizer que a terra floresceu. Previamente tinha alugado uma casa, levou os filhos com ela, o rapaz pouco depois partiu para a terra de onde eram oriundos, lá para o Minho, para junto do pai que já para lá tinha partido depois de fracassarem todas as tentativas para se reconciliar com a Ti Rosa.
Quando soube que tinha ficado viúva a Ti Rosa adquiriu por direito as terras que lhe pertenciam por nascimento, terras que os seu pais trabalharam toda a vida, e às quais o marido se julgava dono e senhor.
Os anos foram passando, e ainda que a distância fosse uma desvantagem, continuei a visitá-las e vi aquela mulher a rejuvenescer a adquirir auto-estima, a ficar ainda mais forte, continuando a ser a mulher trabalhadora e paciente como a conhecia. Foi para mim uma heroína, sacrificou-se pelos filhos, mas quando teve coragem para mudar o rumo da "história" fê-lo a pensar em si e no direito que tinha de ser livre, colocou um fim na "tragédia" que vivia.
Já faleceu há uns anos, mas continua bem viva na minha memória. Perdi todo o contato com a filha,que já tinha partido para o estrangeiro anteriormente, depois do funeral da mãe
.

domingo, 11 de setembro de 2011

Reconciliação











Ontem dispensava a companhia do bicho Homem, mas hoje graças à boa vontade de uma amiga reconciliei-me com ele. Estava em casa a morrer de tédio e apatia, quando a amiga me telefona fazendo um convite, dar uma volta até à serra da Arrábida, local daqueles que eu considero mágicos, e tenho o grato prazer de conhecer , pode-se dizer, quase intimamente pelas caminhadas que fiz em toda a sua extensão.






Como estava a dizer, este passeio foi de carro, ficando este estacionado muito antes de chegar ao Portinho, fazendo o restante percurso a pé que me proporcionou um bem-estar incrível, físico, psicológico e mais ainda espiritual. Nada como espaços destes para nos reconciliarmos com os outros. Bem-haja amiga pelo convite.




As imagens foram retiradas da Net, pois não levei máquina fotográfica

sábado, 10 de setembro de 2011

Se pudesse...

















punha-me já a caminho para qualquer lugar, por hoje quero ficar só, se não for possível aceito que a companhia seja a de qualquer espécie vivente, só não quero a companhia do bicho Homem.








































































segunda-feira, 29 de agosto de 2011

"A Menina dança?"



Dançar! Dançar!.............

- "A Menina dança?"

- Não! Não danço, obrigada.

- Não dança comigo?

- Não! Não danço. Obrigada, mas danço sozinha.

Poderia ser o começo de uma história, mas seria uma longa história, não vou pois perder tempo com ela.

Ao fim de dezassete anos a mágoa já partiu, mas não se quebra um juramento, esse irá perdurar até ao fim do tempo. Foi apenas um registo de memória de um momento e de um espaço perdido num tempo passado, e que se transpôs para outro momento e outro espaço há uns dias atrás. O título do texto é o do livro de Rita Ferro: "A Menina dança?", de facto o romance não corresponde a nenhuma das minhas vivências, mas estranhamente existe de algum modo analogia. Escrever este texto foi uma forma de exorcizar mais um "fantasma".


Imagem tirada da Net


sábado, 20 de agosto de 2011



Entreguei na biblioteca "A rapariga que inventou um sonho" de Haruki Murakami.

Não levei em consideração o aviso que o "San Francisco Chonicle" dá na capa do livro: "Um aviso aos novos leitores de Murakami: Vão ficar viciados"






E fiquei completa e maravilhosamente "agarrada".

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Comparações

Hoje estou com uma língua viperina, só tenho vontade de fazer comentários de "escárnio e maldizer".
Estes exemplares que estão nas fotos deveriam sentirem-se "ofendidos" caso "soubessem" que eu os comparo a algumas pessoas que, infelizmente ou felizmente? se foram cruzando comigo ao long
o da minha vida.

Anaconda










Piranhas Enguia elétrica


Não estou a inventar nada, com certeza que também conhecem algumas, são mesmo do "piorio".
Para que "ultrapassem o choque" que estas imagens possam ter provocado, deixo outras mais "paradisíacas", serenas e harmoniosas. As fotos (todas) foram tiradas no Fluviário de Mora, (estive lá no Domingo passado) merece a sua visita, vá até lá e veja a beleza e vida de um rio desde a nascente até a foz.






quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Fome na Somália

Meu Deus! Perdoa-nos pela desumanidade que criamos, que por sua vez cria tragédias como esta. Envergonho-me, e não raramente, de pertencer a esta espécie que permite ainda que os seus morram de FOME.




terça-feira, 9 de agosto de 2011

O poder está em nós

Há oito anos foi -me diagnosticado um nódulo na tiróide depois de fazer uma ecografia. Apercebi-me que alguma coisa não estava bem, comecei a emagrecer rapidamente, transpirava imenso e era dominada por uma constante irritação e nervosismo, a médica de família não atinava com o caso, e piorava de dia para dia. Abrindo aqui um parêntesis, sempre disse, e continuo a dizer, que os livros que tenho de ler vêm parar às minhas mãos no momento preciso, e assim foi, tenho em casa um livro sobre medicinas alternativas e um dia em busca de uma informação sobre qualquer outra patologia, que alguém me pediu para verificar, uma página abriu-se ao "acaso", (o que não acredito) e deparo-me com um título e o texto que se seguia, e acreditem ou não, todos os sintomas que eu padecia estavam ali, em "Problemas da Tiróide".
Contactei com a minha médica que ficou bastante surpreendida, mandando-me fazer de imediato a ecografia e análises, acusando a primeira um nódulo e as segundas um ligeiro hipertiroidismo.
Como não tomou qualquer atitude resolvi procurar uma especialista, uma endócrinologista, a doutora pergunta-me se eu sabia o que tinha, sabia que era um nódulo, e sem me dar tempo a responder deixou-me estupefacta dizendo que o que eu tinha na tiróide eram "sapos", sim! "sapos", que se traduzem por frustrações, humilhações, injustiças, ressentimentos, etc., em suma "lixos" altamente tóxicos que acumulei em mim.
Resolvida a aprofundar o assunto dos "sapos", caso contrário como sou muito curiosa ficaria com mais um "sapo", procurei tudo o que me pudesse elucidar, e vem até mim a obra de Louise L. Hay, "Pode Curar a Sua Vida", mais outro livro que me veio parar às mãos no momento oportuno, oferecido por uma amiga, ali estava tudo o que a médica me tinha dito, isto é deveras surpreendente vindo de uma médica de medicina convencional, mais parecia uma médica de medicina alternativa, nesse caso não ficaria surpreendida.
E lá está com todas as letras esse inegável diagnóstico, juntando mais uns quantos sintomas, como: ódio por ser vítima de imposições, e um ego magoado no que se refere à profissão.
Durante cinco anos, de seis em seis meses, fui vigiada num hospital pela especialista apenas por precaução, depois de fazer o despiste cancerígeno, nunca precisei de tomar medicação, o hipertiroidismo desapareceu, o nódulo diminuiu, não necessitei de cirurgia, estou perfeitamente consciente e assumo a responsabilidade ao dizer que as melhorias se devem aos conselhos inseridos nesse livro, nele encontrei uma abordagem espiritual que revolucionou profundamente a minha maneira de pensar e agir.
O nódulo ainda cá está, ainda há uns pequeninos "sapos" para expulsar, e estou a esforçar-me para isso, tenho esse poder, ele está em mim.
Segundo Louise L. Hay todas as patologias começam no pensamento, para iniciar o processo de cura torna-se pertinente inverter o pensamento, mudar a forma de pensar, e ele, esse poder, está em todos nós.
Já agora também vou dizer que por vezes fico afónica e rouca, fiz o exame da voz, às cordas vocais, extremamente difícil, e aparentemente não há nódulos, mas segundo Louise L. Hay, como a garganta representa o fluxo criativo da vida aí se manifestam valores negativos como os descritos acima, a tiróide também se situa na garganta, no caso da rouquidão e afonia deve-se à criatividade reprimida, e sobre isso posso jurar que é verdade, ainda não consigo superar essa frustração, mas com o tempo isso irá acontecer. Agora já sabem quando digo que já não engulo mais "sapos".

domingo, 7 de agosto de 2011

Que grande burrice

Está a decorrer em Sesimbra a Feira do Livro, começou a 22 de Julho e termina a 15 de Agosto.
Um dia destes fui até lá ver onde "param as modas", e fiquei a lamentar não poder comprar um livro sequer, os euros estão mesmo escassos.
Hoje voltei lá novamente, é que tenho mesmo uma atracção por estes espaços, não resisto!
Enquanto por ali cirandava duas jovens, duas adolescentes morenas, próximas de mim pegaram num livro de piadas e anedotas, e em voz alta iam lendo anedotas sobre loiras, e riam estrondosamente.
Ora eu sou loira, e ainda por cima sou loira desde que me conheço como gente, poderiam à partida pensarem que eu ficaria ofendida? Não! É claro que não fiquei! Pois as anedotas eram sobre loiras burras, e neste caso sou mesmo muito burra, não percebi a lógica daquelas piadas secas e estúpidas, e nem sequer me fizeram rir, pois já ouvi algumas que até têm graça. Estas, provavelmente, foram escritas por alguma morena que inveja as loiras, mas tem solução para deixar de invejar, basta pintar, e assim passa a ser uma loira burra e deixa de perceber as anedotas.

sábado, 6 de agosto de 2011

O elixir do esquecimento

A lua cheia, anormalmente grande, iluminava o bar através da vidraça dando ao espaço um aspecto surreal, que uns pontos de luz estrategicamente colocados no interior acentuavam.
Estava sentado ao balcão, um copo na mão com uma bebida, talvez uísque, pelo formato do copo, mas poderia ser outra qualquer, não interessava, era levado à boca com um gesto pausado e quase mecânico, ligeiramente curvado centrava a atenção no copo, o semblante aparentava tristeza ou desilusão, melhor dizendo era a fusão de ambos os sentimentos.

Levantou o rosto e fixou o olhar num casal que numa mesa fronteira falava entre si, apenas via o movimento dos lábios, mas também se expressavam através de gestos quase dramáticos que davam mais ênfase ao que quer que diziam, ficou a refletir, porquê estariam tão tensos? Estariam a discutir sobre algo não chegando a um acordo sobre o que quer que fosse? Discutiriam a sua relação? Talvez um deles se tivesse cansado dessa relação? Estaria insatisfeito? Quereria pôr-lhe fim ? Talvez o amor que um dia existiu se tivesse perdido pelo caminho, e já não fosse possível reavê-lo?

Um sorriso irónico aflorou-lhe os lábios, estava para ali a imaginar o que poderia levar esse casal a ter esse comportamento e por momentos esqueceu-se de si, da angustia que o oprimia e dilacerava. Que raio! Porque carga d'agua estava para ali a imaginar esses porquês? A sua vida já lhe dava amargos de boca suficientes para quê preocupar com a vida dos outros? A dele já por si era um caos, uma guerra, não uma batalha, perdida, não conseguia visualizar solução de modo a deter o seu desmoronar.

Chamou o barman e pediu outra bebida, talvez outro uísque, queria apenas esquecer, deixar-se levar pela lassidão que lhe ia tomando o corpo e nublando a mente, pediu mais outra, queria lá saber dos dramas dos outros, com esses podia ele bem, queria era esquecer os seus, se o álcool tinha esse poder, se o transportava para outra dimensão, iria beber até passar para lá. A lua cheia, anormalmente grande, derramou sobre ele, ali caído sobre o balcão, uma luminosidade quase surreal . Só quis que a memória se apagasse. Apagou-se a memória e o corpo também, adormeceu de tão ébrio.

domingo, 31 de julho de 2011

Vamos à festa!

Desde que iniciei este blog nunca fiz qualquer alusão ao local que me viu nascer, (à vila, capital do concelho, na verdade até nasci numa azenha, mas isso é outra história) mas hoje, por questão de vaidade, vou divulgá-lo, aproveitando para passar um pouco de publicidade.


A partir do dia 6 até dia 18 vão decorrer nesta vila as festas em honra da Sª. do Castelo. Deixo o cartaz que publicita o evento.



Como vêm é Coruche, uma vila ribatejana, terra de touros, cavalos e campinos, e também touradas que eu abomino, exceto a pega onde os forcados e o animal se enfrentam sem recurso a outras artes se não as suas próprias forças. Há bastantes anos que lá não vou, às festas, este ano até gostava de lá ir! Logo se vê, cada vez mais vou deixando de fazer planos, o melhor é decidir e partir na hora, assim não há frustrações.


domingo, 24 de julho de 2011

Por-me a andar

Estou a precisar com urgência de partir, partir para qualquer lugar, para qualquer destino, não importa qual. Por vezes esta terra onde vivo, que é linda, torna-se limitada tanto geográfica como cultural. Sonho a dormir, sonho acordada com diferentes destinos, se for possível, talvez possivelmente não seja, pois a "Troika" e companhia condicionam imenso esses projetos, mas logo se vê, queria ir por aí sem destino, sem nada organizado, ir à aventura, à descoberta, ir longe ou mais perto, o que importa é partir.
Para o estrangeiro está fora de questão, os euros estão mesmo curtos, mas viajar cá dentro é uma opção perfeitamente razoável, tenho que poupar para me por a andar. Ando com saudades da costa vicentina, ir "nas calmas" ao longo dessa costa maravilhosa, dar uma "escapadinha" em cada praia, almoçar em qualquer tasca que se encontram no caminho.
Dar um "pulo" a Sagres, que é um local deslumbrante que me impressiona pela beleza, pela energia que ali se sente intensamente, pode-se dizer, sem exagero, que é um local mágico.
No cabo de S. Vicente gosto de ficar a maravilhar-me com o mar que ali se mostra com toda a sua força, beleza, atracção e sedução.
Depois continuar a viagem ao longo da costa algarvia, matar saudades das praias que se foram da memória apagando.
No regresso fazer a opção, pela serra de Monchique ou pelo Alentejo interior, tanto faz, ambos os percurso são dignos de serem feitos, se pela serra aproveita-se todo aquele verde que faz tão bem, toda a sensação de paz e bem-estar que usufruímos ao longo da sua subida, se pelo Alentejo interior confrontar-nos com a solidão, o silêncio, os imensos espaços vazios de vida (humana) que permitem a nós próprios interiorizar-nos, sem permitir que a tristeza que aí se sente penetre em nós.
Cheguei ao fim da imaginária viagem, mas acreditem ou eu não me chame........se esta viagem não se tornará real. E mais vos digo, será muito brevemente. Desejem-me sorte ok!

"Sê dono apenas do que podes transportar contigo; Conhece línguas, conhece países, conhece pessoas. Deixa que a tua memória seja o teu saco de viagem"


Alexander Soljenitsyn, escritor russo (1918-2008)

sábado, 23 de julho de 2011

Caminhar é estar no caminho

Se pudesse hoje pela tardinha queria caminhar sem rumo, ir à toa para qualquer lugar. Calcorrear uma estrada desconhecida, que talvez me levasse à descoberta desse lugar qualquer onde talvez pudesse chegar. Caminhar só pelo prazer de caminhar sem horário de partida nem de chegada.


Colher as negras amoras as vermelhas framboesas, delícias silvestres para saciar a fome, saciar a sede na água fresca das fontes, e quando o cansaço se fizesse sentir sentar-me nas pedras, adormecer e esquecer-me do tempo. Deixar nesse caminho os pesados fardos que por vezes coloco aos ombros, numa tentativa árdua de alcançar vitórias vãs, que me enchem de nada ficando vazia de tudo. Não me interessa onde me leva o caminho, nem o tempo que preciso para lá chegar, e se não chegar não tem importância, se o prazer da viagem está mesmo na viagem, vou seguir o meu caminho.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

VANGELIS

Hoje deu-me para ouvir um compositor da minha eleição, tenho imensa admiração e apreço pelas suas obras.
As suas músicas são repletas de paixão quase contagiosa, senão mesmo contagiosa, algumas delas fazem apelo ao meu lado aventureiro de tal modo que sou capaz de ouvi-las durante horas e deixar a imaginação libertar-se.

terça-feira, 19 de julho de 2011

A senhora que não sabe geografia

A senhora Angela Merkel quando se refere aos europeus não inclui neles o povo alemão, pois diz: " o povo alemão e os europeus...". Porque será? Pensará também ela que são uma "raça superior"?

Isto faz pensar, ou não?

Os europeus deveriam exigir-lhe que justificasse esta frase, principalmente os povos mediterrâneos, pelos quais não parece mostrar muito apreço, ou será melhor dizer que demonstra um certo desprezo? No mapa da Europa a Alemanha está lá bem visível, é caso para dizer: A senhora não aprendeu as lições do Básico I ou não se considera europeia.

domingo, 17 de julho de 2011

Carpe Diem

Pararam os ponteiros no relógio.
No calendário a folha não mudou.
Eternizamos o instante.
Que foi meu
que foi teu
que foi nosso.
O que houve não haverá jamais.
O que foi e já não será.
Tudo deixou de existir.
Nada mais existirá.
Apenas os dois num tempo inventado, que foi real.
Onde nos encontramos
onde nos descobrimos
onde nos perdemos.
Deixamos o silêncio, densa névoa, encobrir
o que foi o presente mais que perfeito
feito por nós, que sentimos em nós, e ficará em nós.




Mais um poema que jaz no caderno esquecido

domingo, 10 de julho de 2011

Literatura Japonesa




Terminei de ler "O Elefante Evapora-se" do escritor japonês Haruki Murakami.


Trata-se de uma série de histórias surreais, bizarras e divertidas.



Desconhecia as obras deste escritor, e ainda só li mesmo esta, mas como gostei vou providenciar outras leituras das suas obras recorrendo à biblioteca municipal, de onde esta é oriunda, e com toda a certeza irão proporcionar-me outros momentos agradáveis. Uma delas irá ser "A Rapariga Que Inventou Um Sonho", onde, segundo a opinião dos críticos, estão reunidos os melhores vinte e quatro contos.










quinta-feira, 30 de junho de 2011


Descobri, ou melhor, encontrei um caderno onde tinha o hábito de escrever poemas.
Estava mesmo esquecido, é o que dá quando nos armamos em "gata borralheira", quando decidimos fazer uma limpeza em alguns espaços que vamos deixando sempre para amanhã. Vejam lá se no lugar do caderno tivesse encontrado uns maços de notas de euros, sem dúvida que teriam mais utilidade que estes míseros poemas que datam da época do Romantismo, estando portanto bem ultrapassados. Só para verem como realmente me iludi, depois de tantas doses já fiquei imunizada, vou colocar neste blogue alguns poemas dos mais irrepreensíveis, outros não posso, senão passaria a ser um blogue semi-erótico, e para isso já por ai há uns.

Quando se cumprir o tempo

As rosas singelas desfolham-se,
as pedras negras que piso choram,
quando passo por elas.
Lamentam o meu penar
a minha dor, a minha solidão,
que assombram o meu viver.
Perdi-te nas sombras do memorial
que erguemos ao amor que já foi nosso,
e já não é.
Nele gravamos a fogo odes e hinos em pedras vivas que ruíram
na intemporalidade de um tempo que já não volta.
Partiste e nada mais resta.
As coroas de rosmaninho e alecrim
que entrançamos e nos coroávamos
voltaram à terra de onde vieram.
As veredas verdejantes de húmido musgo,
os recantos floridos de camomilas e rubras papoilas,
eram nossos, agora são de todos que nada sabem.
Já não te encontrarei esperando por mim.
Rasguei a túnica, cai ao chão, gritei em silêncio por ti.
Não ouviste os rogos, as súplicas, os lamentos,
fiquei ali num abismo que abriste em mim.
Esperei-te desde o principio, antes do tempo ser tempo,
esperar-te-ei no fim, depois do tempo ser tempo.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Existem dias, hoje é um deles, em que me sinto uma verdadeira Dian Fossey.

As "macacadas" que tenho de suportar por parte de alguns "gorilas" que comigo coabitam, põem à prova a minha paciência. Mas sou paciente, afinal são apenas homens, uns primatas muito primários, que precisam de mim para não se extinguirem. Isto é que é ser feminista! Ah! Ah! Ah!.....

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Dá para acreditar?

O nosso ex. primeiro-ministro, o Engº. Sócrates, vai retirar-se para França com o objetivo de fazer um ano "sabático" estudando Filosofia.





Provavelmente estudará Sócrates, o filósofo grego, estudando Platão e Xenofonte, seus discípulos, que deixaram através dos seus escritos a sua vida e o seu pensamento, visto não deixar nada escrito. Poderá aprender com ele o significado e finalidade da vida humana.


Mas talvez faça um estudo mais aprofundado do sofisma a que muito recorria enquanto primeiro-ministro, quando enganava e iludia o povo.



Se realmente for estudar Filosofia deverá, obrigatoriamente, começar pelo seu homónimo, e com muita humildade afirmar, usando a sua famosa frase: "Só sei que nada sei!".

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Verão

O

Verão chegou com todas as "armas e bagagens" que fazem parte do seu roteiro, sol, calor, férias, praia, noites animadas e "emborrachadas", romances escaldantes, amores de curta duração, (amores de Verão), vestuário reduzido e provocante, piqueniques, visitas de familiares e amigos, esplanadas cheias, gelados espetáculos de rua, queimaduras solares, picadas de melgas e mosquitos, noites insuportavelmente quentes, falta de estacionamentos, aumento dos preços, Ah! pois é! chegam os "camones" e tem de haver algum ganho extra.

Gosto do Verão, mas o que me incomoda são as temperaturas elevadíssimas que me fazem sofre terrivelmente, é que apesar de gostar do sol, sou uma filha do sol, ressinto-me muito com o calor, a minha pele não é recetiva aos seus benefícios. Gosto muito da praia, aliás gosto mesmo é do mar, e para poder usufruir dele a partir da praia vou para lá quase de madrugada, e quando o sol começa a aquecer mais intensamente tenho que voltar para as sombras.

Aqui em Sesimbra a praia já está concorrida, quando começarem as famosas férias de Verão vai ser difícil haver espaço para colocar uma toalha, é que eu preciso de espaço, tenho uma fobia qualquer à multidão que me leva a não frequentar a praia entre as dez da manhã e as seis da tarde, e devido ao calor obviamente.

O que gosto realmente são das praias desertas, ou pelo menos pouco frequentadas, estou cada vez mais "bicho do mato", têm os seus perigos é claro, mas recompensam em termos de privacidade, de descanso e onde o contato com a natureza é mais intenso. Que saudades eu já tenho da "minha" praia, e de outras às quais tive acesso, ter um barco proporciona-me estes prazeres.

Vou aguardar, este Verão, que surjam oportunidades para poder lá voltar.

As praias das fotos são: 1ª. Moinho de Baixo- Sesimbra
2ª. Praia das Adegas- Costa Vicentina































domingo, 19 de junho de 2011

Maldade ou Justiça?

Isto de não trabalhar para os outros tem a suas vantagens, duas delas são a gestão de horários e o planeamento de actividades. Faço o que quero na hora que quero e como quero, está dito!
Tenho imensa pena dos que estão condicionados pelo relógio, sobrando-lhes poucas horas para relaxarem, meditarem, praticarem actividades físicas (desportos) por puro prazer, e outras actividades lúdicas que exigem tempo, tempo esse que é dedicado às actividades laborais, infelizmente muitas vezes realizadas a contragosto, pois a única motivação é mesmo a monetária, e muitas vezes nem é compensatória.

Hoje, domingo, é considerado dia de descanso, não para todos claro, os que podem vão até à praia, que é quase sempre o local de eleição dos portugueses quando o calor chega em força, pelo menos nas férias para os que vivem longe do litoral, a praia e os centros comerciais, estes mais no Inverno. Como tenho o privilégio de morar quase "a dois passos" da praia fui até lá, mas quando começou a confusão, quando começaram a chegar as famílias com os respectivos farnéis é hora de regressar.

Retomando o que dizia anteriormente sobra as vantagens de ser dona do meu tempo, tenho ido à praia à hora em que muita gente está a sair de casa para "ganhar o pão com o suor do rosto", por volta das oito da manhã tenho um areal só para mim, e um mar onde gosto de ficar de "molho". Invejem-me lá!
Quando trabalhava para os outros, havia gente que me invejava pela profissão que exercia, e outros, descobri mais tarde, não gostavam de mim, com muita mágoa minha tudo fizeram para que eu não voltasse a exerce-la depois de um acidente que sofri, e do qual levei algum tempo para recuperar fisicamente, depois a "porta" que me garantiram continuar aberta, fechou-se na minha cara.

O cinismo é intolerável, e doí muito mais quando é usado pelas pessoas em quem confiamos, mas como digo muitas vezes, acredito na "lei do retorno", actualmente vejo essas pessoas cansadas de tanto trabalharem, sempre dependentes do relógio, parecem o coelho na história de "Alice no País das Maravilhas", andam desmotivadas, sem tempo para pequenos prazeres, como ir à praia, porque têm imensas obrigações, e cujos ordenados nem recompensam tanto sacrifício, ao fazer este comentário não me estou a vangloriar, ou a ser vingativa, estou apenas a contestar a verdade, afinal a inveja torna-nos mesmo amargos, e vejo isso nas expressões e atitudes dos que no passado me quiseram prejudicar. Agora até dá um certo gozo saber que sou invejada, principalmente porque não permito que isso me afecte, tenho o tempo à minha disposição e não o tempo que me condiciona, tomem lá e embrulhem, invejosas!




sábado, 18 de junho de 2011



"Quando estamos envolvidos com alguém temos o direito de saber tudo até ao último pormenor a respeito dessa pessoa, algo obviamente impossível."
"Não temos segredos" dizem nos filmes rostos animados e jovens, quando, como todos sabemos, a nossa vida está cheia de segredos, frequentemente escondidos de nós mesmo."


Passado Imperfeito--Julian Fellowwes

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O que é a Verdade?

Conheço pessoas pelas quais sou incapaz de sentir empatia, dai criar distanciamento, outras, apesar da dificuldade de relacionamento e de interação, gosto muito delas, envolvo-me afectiva e emocionalmente.
Tenho sempre a estranha sensação, isto é o meu lado intuitivo a manifestar-se, que estas pessoas, com quem me relaciono são secretamente muito inseguras, não deixam transparecer tal, mas quem não as conhece como eu tem uma apreciação oposta, que não vacilam, aparentam sempre uma posição de superioridade, escudam-se numa atitude de: " Eu sei"; "Eu posso"; "Eu digo tudo o que tenho a dizer"; "O que tenho a dizer não deixo para amanhã"; "Eu digo sempre a verdade, doa a quem doer".

Sentem-se "donos da verdade", prepotentes, poderosos nas verdades que emitem, com o típico comportamento de falar tudo o que pensam.
Até estou de acordo, a verdade acima de tudo, a autenticidade deveria fazer parte das nossas relações com os outros, mas fico chocada quando são tão "verdadeiros" a dizerem tudo o que pensam infelizmente sem pensar em tudo o que dizem, conscientes garantem que o que dizem é a mais pura verdade sem reconhecerem que essas "verdades" são muitas vezes injustas e humilhantes. Têm ainda o desplante de, quando confrontados com tais atitudes, dizer que o que disseram não foi por mal.

Relaciono-me com duas pessoas assim, com uma o relacionamento é apenas ocasional, se fosse diário já teria com certeza criado esse distanciamento para não ser afectada. Esta pessoa diz, com alguma amargura na voz, que não tem amigos que é tudo uma falsidade que não confia em ninguém, estas interjeições causam-me dó, e fico a pensar porque será que não tem amigos, deveria estar rodeada deles, pois é tão autêntica, tão "verdadeira", deveria ser ovacionada, mas apercebo-me que afasta os amigos pelas suas verdades que são afinal duras criticas, bastante destrutivas. É caso para dizer "Com amigos assim quem é que precisa de inimigos".
Pois fique lá com a sua teoria da "verdade" que eu prefiro a minha: os amigos existem, são para manter usando o coração e não tanto a cabeça, é amar sem exigir que os outros pensem como nós que vejam tudo pelo mesmo prisma, e é acima de tudo respeitá-los nas sua diferenças, opiniões e opções, pois as suas verdades não são obrigatoriamente as nossas.

A outra pessoa, para finalizar a minha "tese", com quem me relaciono mais intimamente, e amo muito, também se diz "dono da verdade", mas é um mentiroso nato, acredita mesmo no que diz, vai ao exagero de deturpar tudo aquilo que os outros dizem e de colocar palavras na boca dos outros sem estes nunca as proferirem, quando lhe convém. "Mente com todos os dente que tem na boca", muitas vezes para se ilibar das barbaridades que lhe saem da "cloaca" tem a capacidade inata de "virar o feitiço contra o feiticeiro", de passar de réu a vítima, é impressionante.
Até me deixa atordoada e sem palavras com as "verdades" que verbaliza.
Que façam exame de consciência e admitam que não são tão "verdadeiros" com se julgam, "desçam do altar" e deixem de se intitular "donos da verdade"



O Oráculo

Há uns bons anos, quando trabalhei numa secretaria, tive como chefe o contabilista.
 
Tinha setenta anos, e trabalhava ainda devido a dificuldades financeiras, com família a seu cargo, e um elemento com sérios problemas de saúde. Tinha sido um "retornado", aqueles que regressaram à metrópole, depois do 25 de Abril de 1974, praticamente com a roupa que tinham vestida.
Foi para mim uma pessoa especial, com uma faculdade que ainda hoje continuo a acreditar, tinha a estranha sensação que me conhecia, quase posso dizer que conhecia a minha alma, sem eu falar de mim adivinhava os meus pensamentos, o que me deixava entre fascinada e assustada. Insistia comigo para eu aprender contabilidade, dizia que seria uma "arma" para eu singrar na vida, ainda aprendi umas coisas, mas números nunca foram o meu forte, e nem a tarefa me agradava.
No decorrer dessas "aulas" ia dizendo que se eu não agarrasse as oportunidades que iriam surgir, e só surgiriam uma vez, iria fazer muita "burrice" e lamentar enquanto fosse viva. Falava como um oráculo, deixava-me arrepiada, esforçava-me para não lhe dar crédito, o que de antemão já era uma grande asneira, mas a idade não permitia avaliar a extensão da predição.
Dizia que eu nunca poderia acusar ninguém por mais obstáculos que me pusessem no caminho, depois durante anos acusei outros, de modo a dificultar-me a caminhada, a grande responsável seria eu, seria a minha falta de coragem para dizer basta, para me impor, que levaria a renunciar a todos os meus sonhos e projetos, dizia muitas vezes: " Fecham-te a porta, salta pela janela, não deixes que te dominem, que te maniatem, que te amordacem." Também dizia que não estaria cá para ver e para me aconselhar, mas queria confiar que eu pensaria nas suas advertências.
Ainda era vivo quando eu fiz a primeira grande burrice, por medo, cobardia, insegurança, não consegui transpor o obstáculo que colocaram no meu caminho e cometi um dos maiores erros, de todos os que tenho cometido. Ainda teve oportunidade de dizer-me pessoalmente que, infelizmente, já contava que eu reagisse assim, daí estar constantemente a alertar-me, a "dar-me nas orelhas".
Mas quem nasce "burro nunca chega a cavalo", e as suas lições foram dissolvendo-se no pó do tempo. Passados anos, num momento em que o passado se faz presente, lembrei-me das suas palavras sábias, e admito que não errou nas predições que fazia, entrou na minha vida num determinado momento para me auxiliar na minha caminhada, mas optei por negligenciar as lições.
 
"O valor das coisas não estão no tempo que elas duram, mas na intensidade com que elas acontecem. Por isso existem momentos inexplicáveis e pessoas incomparáveis." Fernando Pessoa


Ob: Este texto foi inspirado numa conversa, onde a palavra que lhe serve de título foi mencionada, e levou de imediato a recordar-me daquele homem.

domingo, 5 de junho de 2011

Meditem


"



Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.


E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem o presente de forma que acabam por viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer." Dalai Lama

Barragem do Monte da Rocha

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Recordar

No inicio deste mês, mais precisamente, no dia 1, fui, a convite de uma prima, visitar um local que há uma eternidade andava para visitar. Fui a um local onde, por pouco tempo, vivi. No Alentejo profundo, a aldeia de Stª. Clara-a-Velha ficou na memória, associada às andanças, quase de nómadas, que os meus pais faziam para os locais onde o meu pai era chamado em trabalho. Neste caso na barragem que tem o mesmo nome da aldeia.

Neste dia estive lá, é uma aldeia com população envelhecida, nada se compara aos seus tempos áureos, quando da construção da barragem, a escola ainda funciona, a mesma escola que frequentei, hoje tem apenas sete alunos do 1º. básico, e nove do pré-básico. Visitei a escola com uma ponta de nostalgia, foi alterada, mas o exterior continua a manter o estilo "Estado Novo", quis visitar a capela, mas infelizmente estava fechada, outro espaço, que tinha uma vaga ideia, a fonte, que tem um pequeno parque das merendas e uma churrasqueira.


Quando lá morei não habitava na aldeia, mas sim no cimo de um monte que lhe fica sobranceiro, para ir à escola tinha de atravessar a linha do comboio. Irei recordar para sempre esse local, e na minha memória estará sempre associado ao "Monte dos Vendavais" de Emily Brontê, livro que li uns anos depois, pelo facto de junto da casa existir um eucalipto enorme, que quando o vento soprava intensamente fazia um som assustador. A minha mãe tinha medo do local, além da casa não lhe agradar, tomou a decisão de voltar para o local de onde tínhamos partido anteriormente, Baixa da Banheira, concelho do Barreiro, onde o meu pai tinha trabalhado na construção do estádio da C.U.F.

Não vou alongar-me mais nesta "história", mas não poderia passar "em branco".

Vou apenas dizer que foi uma viagem divertida, quase um "rally", fomos quase sempre pelas estradas municipais ou regionais, permitindo deste modo visualizar um Alentejo que continua a ser pobre, abandonado, mas encerra tanta beleza, tanto sossego que só apetece lá voltar, e viver nessa simplicidade.

Também visitei a barragem, lógico, ia a Roma e não via o papa, estava praticamente cheia, aquele lençol de água, ali quase a perder de vista, convida ao relaxamento, ao descanso, ao "dolce fare niente". Vão até lá, e depois julguem por vós próprios. Quase acidental, pois por engano fomos por outra estrada, acabamos por ter o privilégio de ver a barragem do Monte da Rocha, também ela espectacular. Há enganos que valem bem por si.