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domingo, 29 de junho de 2014

Santos populares em Sesimbra

 
Adro da igreja de Santiago

 
 Largo do Grémio
Rua dos Pescadores


É hábito, aqui em Sesimbra, enfeitarem as ruas para festejar os santos populares, S. António, S. João, S. Pedro. Nestes festejos há ótimos petiscos, como: sardinha assada, polvo, candemontes, caldeiradas, etc., e não podendo faltar, o vinho, cervejas, sangrias. Atualmente já se perdeu o hábito das fogueiras, mas os bailaricos continuam a estar presentes.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Sentir assim.

Enquanto faço as minhas habituais caminhadas sinto-me Alberto Caeiro (Fernando Pessoa), também vejo e amo a natureza do mesmo modo.

"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso e muito bem...
Sei ter o pasmo do essencial
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...

Creio no mundo como um malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O mundo não se fez para pensar nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é.
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência não pensar..."

Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) em "O guardador de Rebanhos"

segunda-feira, 23 de junho de 2014

                                                            Esta noite é para ele


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Recordar

"A saudade é o sitio para onde a alma teima em regressar". Já não sei de quem é esta frase, nem se está correta, mas é indiferente. Esta introdução serve para definir como hoje me sinto, é verdade com saudades, saudades do passado, que embora muitos acontecimentos nele vividos me tenham marcado negativamente, mas já resolvidos, outros houve que enquanto a memória não falhar terei grande prazer de recordar. O que originou este texto foi que por fração de segundo veio à minha memória uma pessoa que fez parte do meu passado, e da qual guardo boas recordações, chamava-se Irene Franco Quintal, conhecia-a porque era amiga dos meus pais, mas posteriormente, depois da morte do meu pai,  aproximamo-nos mais, o que contribuiu para nos conhecermos melhor. Era uma sexagenária e eu uma jovem, o que não impediu que tivéssemos longas conversas bastante interessantes.
Foi uma mulher com "garra" uma mulher que quis mudar a sociedade, mudança essa que para ela passava pela politica, era anarquista, uma libertária que, apesar de nossa amiga,  não se inibia de nos criticar pela forma como aceitávamos ser governados, e já estava instaurada a democracia, ou pensávamos que sim, já se tinha dado a famosa revolução dos cravos, pelo menos havia liberdade para reclamar e comentar as injustiças do governo, coisa que durante a ditadura só os audaciosos, corajosos, os que arriscavam a própria vida tinham coragem de fazer, ela foi uma delas. Nascida no seio de uma família operária começou bem cedo a viver todo esse fervilhar de inquietação que os pais levavam para casa, numa sociedade fortemente amordaçada pelo fascismo (salazarismo) onde o povo era sobrecarregado com demasiadas horas de trabalho e mal remuneradas, sem as mínimas condições dignas de um ser humano, tanto os trabalhadores rurais como os operários começaram a manifestarem-se, o que não agradava ao governo, originando denúncias, perseguições, e prisões de todos os que levantavam a voz contra essa opressão e tirania. Os pais de Irene eram partidários do Anarquismo, era ilegal, mas existia, portanto os seus membros eram perseguidos e levados para a prisão, o seu pai foi várias vezes preso. Irene casou em segundas núpcias com o famoso libertário Francisco Nóbrega Quintal Júnior e a sua ligação ao Anarquismo aumentou, pois esse homem desde muito jovem, quinze anos, tomou conhecimento do Anarquismo através de um panfleto de propaganda que o seu pai trouxera para casa, e foi ao longo de toda a sua vida um fervoroso defensor desta causa, e pela qual foi muitas vezes perseguido e preso. Quando conheci Irene já era viúva, mas quase se pode dizer que conhecia aquele homem pelas "histórias" que nos contava
As recordações vão surgindo, e muitas outras "histórias" foram vividas conjuntamente. Já com o meu companheiro, que tinha (tem) simpatia pelo Anarquismo, a amizade tornou-se mais intima partilhando almoços na sede em Lisboa, onde aprendíamos tudo o que estivesse relacionado com o Anarquismo, os almoços na casa da minha mãe, as viagens para minha terra para participar dos casamentos dos meus familiares, os piqueniques onde havia sempre uma palestra ou debate com um grupo de anarquistas. 
Gostava verdadeiramente de a ouvir contar de quando viveu em Moçambique, país que adorava, e do qual falava exprimindo a saudade, gostava quando falava nas viagens de machimbombo, dos amigos que por lá tinha deixado, muitos deles não voltaria a ver.
Embora tivesse enteados, filhos do segundo marido, vivia sozinha em Lisboa, por vezes ainda íamos até lá, para ela, devido à idade, tornou-se problemático deslocar-se a Sesimbra, o contato passou a exclusivamente telefónico, um dia não atendeu, no outro também não, e mais dias assim o telefone mudo, a Irene não atendia e não atendeu nunca mais.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Dia de Portugal

Caminhado pela praia, ainda de madrugada, neste dia, Dia de Portugal, com os pés na água lembrei-me de invocar as Ondinas afim de protegerem este país que infelizmente tanto precisa, e se a proteção das Ondinas não for suficiente peço  aos Gnomos, às Salamandras e aos Silfos, que são todos eles os elementais da natureza, sendo as Ondinas o elemento água, os Gnomos o elemento terra, as Salamandras o elemento fogo e os Silfos o elemento ar para protegerem Portugal. Como estes pedidos devem ser feitos apenas para coisas grandiosas e dignas pareceu-me que foi apropriado. Portugal merece ser, é, grandioso e digno.