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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Vaticínio

Quando nasci, com o auxílio de uma parteira, naquele tempo os partos eram feitos em casa com, se possível, o acompanhamento de uma parteira, sendo esta, na maioria das vezes, simples curiosa pelo facto de assistir a muitos partos, daí a sua experiência, portanto nada de profissional licenciada da área de saúde.
Como estava a dizer, quando nasci essa dita parteira foi à rua deitar fora a água do meu primeiro banho, e ao voltar comentou para a minha mãe que a lua tinha um halo muito intenso, e, na sua opinião de profetisa, isso significava que eu iria sofre bastante, mas um dia seria feliz.
Ora vejam lá, a profetisa não errou, foi necessário passarem algumas décadas para chegar a este estado, e agora posso dizer que sou feliz, aliás já tinha apostado nisso!
Será felicidade?
Pessoalmente prefiro dar a esse estado o nome de serenidade. Este conceito adequa-se muito mais àquilo que sinto, ou seja lidar com as emoções não permitindo que elas me consumam, que não alterem o meu estado psíquico. Isso não significa que o que se passa ao meu redor não tenha importância, a dor dos outros é a minha dor, mas recorrendo aos conhecimentos que fui adquirindo, principalmente a meditação, e incluo a meditação que  faço nas caminhadas feitas ao longo de percursos que naturalmente a isso induzem. Não sou afetada pela ansiedade e pelo medo, que levam à depressão e ao sofrimento.
Para além disso fui, lentamente é verdade, desvalorizando, relativizando, o comportamento dos outros, também me tornei menos consumista, a crise ajuda, dando valor àquilo que tenho, não lamentando o que não tenho, e sou grata por isso.
Ainda bem que a minha mãe me contou este facto, seria difícil de entender o porquê das coisas que me aconteceram. Assim é possível fazer a transmutação, do passado apenas as boas memórias, e houve muitas mesmo, no agora, viver como se o dia fosse o último da minha vida.

Como disse Nietzsche:" Tudo o que não me mata fortalece-me."



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