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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Vacaciones

Passados nove anos voltei a Benidorm, durante nove dias aproveitei o calor que se fazia sentir e a temperada água do Mediterrâneo para passar manhãs na praia, mas antes de ir para a praia fazia uma caminhada pela marginal com a duração de duas horas.
Esta é a quarta vez que vou até lá, e francamente já não fico entusiasmada mas o companheiro quis lá ir mais uma vez e acabei por concordar, poderíamos, pela mesmo valor monetário, ir a alguns locais que para mim seriam mais agradáveis, o prazer de visitar e conhecer pela primeira vez é muito mais apelativo e satisfatório, não sou muito dada a rotinas e esta de passar férias no mesmo local é a mais aborrecida, só me lembrava de uma senhora já muito idosa que conheci na praia no primeiro ano que fui a Benidorm, meteu conversa connosco e confidenciou-nos que já ia para lá há trinta anos, não quero nem em sonhos fazer tal coisa, portanto vou fazer com que tal não aconteça.
O espaço urbano desenvolveu-se imenso, onde eram áreas dedicadas à agricultura nasceram novos arranha-céus, sendo a grande maioria hotéis, nas ruas, no tocante ao comércio, as lojas chinesas proliferaram abundantemente, mais ou menos como em Sesimbra, aqui a marginal é quase "ChinaTown! 
As tardes por vezes eram aborrecidas, devido à temperatura elevada não ia à praia, não se podia andar pelas ruas, e não gosto de piscinas, as opções era ir para uma esplanada ou ficar no quarto a ler, ouvir música, no quarto não era agradável de todo ouvir o futebol que, num ecrã gigante, passava durante horas na área da piscina, ir para a esplanada implicava assistir às cenas dos alemães e dos ingleses completamente embriagados, o que me levava a reconhecer que estarem permanentemente embriagados era a finalidade das férias nesta estância, se durante o dia, vi às nove da manhã, homens e mulheres sentados nas esplanadas dos bares com imensas garrafas de cerveja, sete cervejas, de diversas marcas, custavam a módica quantia de sete euros e meio, era de prever que ao longo do dia iam emborcando algumas, e quando a noite chegava ainda mais consumiam, para depois andarem pelas ruas como "zombis". Com a noite as actividades com ela relacionadas em determinadas ruas, os bares abertos, chamariz para espectaculares bebedeiras, daquelas que levavam as miúdas quase despirem-se em público e a protagonizar cenas escaldantes de lesbianismo, os homens a armarem-se em cowboys no touro mecânico e a darem brutas quedas, era hilariante a forma como caiam, autênticos palhaços, entrei em alguns, bebi umas cervejas e ouvi música "country" que gosto imenso, estes bares são mesmo ao estilo norte americano. Noutras ruas há outros divertimentos, à porta fechada, onde se cobra bilhete de entrada, e os espectáculos diversificavam-se entre shows de lésbicas, cenas de sexo ao vivo, striptease, e dança no varão, portanto tudo muito cultural, e como tenho um lado psicóloga e outro socióloga, estou sempre a estudar esta "fauna" que procura estes espectáculos e dou por mim a fazer a análise comportamental e a fazer conclusões sobre tal. Se por acaso estão a pensar que sou puritana e moralista enganaram-se, não sou mesmo, cada um diverte-se como melhor entender, desde que isso implique maioridade e não seja ameaça para os outros, mas retomando a minha análise, e tendo principalmente como objetivo o estudo do comportamento feminino, o dos homens não me dou ao trabalho de analisar, nasceram assim, vivem assim e morrem assim, e temos de viver com eles assim, sem mais, o das mulheres é que me deixa algo incomodada, não estou a fazer críticas, parece mas não é, fico incomodada de ver jovens lindas a praticarem a prostituição muito naturalmente, ali encostadas às paredes sendo abordadas por clientes que só consigo definir numa frase: metem nojo! Meninas  completamente embriagadas esparramadas no chão com atitudes patéticas e ridículas, mulheres maduras em busca de presas, de preferência bastante tenras, em poses lascivas, maquilhadas exageradamente com a finalidade de esconder a idade. Podem pensar se me desagrada porque motivo fui para lá mas sabem a curiosidade, aquela coisa que mata o gato, foi mais forte, e cedi também para satisfazer a curiosidade do companheiro, que também não se sentiu muito à vontade, talvez pela minha presença.
Deixando de lado todo esta sensualidade e erotismo artificiais e baratos, baratos não, alguns têm de ser pagos para serem vistos, passo a contar que ainda fizemos uns passeios a Calpe, com o rochedo D'ifach, a Guadalest, onde o turismo é um ladrão descarado, e a Guadalupe, ao mosteiro franciscano, situado numa serra de paisagem deslumbrante intensamente cultivada com oliveiras e castanheiros. No dia anterior ao regresso fomos a Madrid visitar o espectacular estádio do Real Madrid, o Santiago Barnabéu e o seu fantástico museu, só faltou ver lá ao vivo e a  cores o Cristiano Ronaldo mas ver todo aquele espólio foi muito agradável. Com a chegada da noite deu-se início à "noite madrilena", se não sabem passo a explicar: milhares de pessoas andam pelas ruas centrais, numa tal concentração que só se vê as cabeças, para comerem, beberem, fazerem compras, assistir aos espectáculos de rua e outros nas respectivas salas. Nós acabamos por não usufruir muito da "noite" porque a chuva não deu tréguas, ficamos limitados depois de jantar a beber "una canha" e "unas tapas" e a descobrir, num largo, depois de percorrer uma rua apinhada apesar da chuva, uma pastelaria portuguesa e nem se pensou duas vezes foram uns pastéis de Belém quentinhos com canela e um cálice de vinho do Porto, é pá somos mesmo um povo saudosista, mas o que é nacional é que é bom.

Benidorm vista do Poniente 
 
Talvez um dia volte a Benidorm? Mas se um dia acontecer que sejam passados mais uns anos.

domingo, 27 de setembro de 2015

Confidente

Na sexta feira, dia 25 de Setembro, desloquei-me a Setúbal, mais exatamente ao hospital de S. Bernardo, há pouco mais de quinze dias foi-me feita uma pequena cirurgia a um pequeno angioma na mão esquerda, e neste dia fui à consulta para saber o resultado laboratorial, e fiquei a saber que é benigno, portanto está tudo bem, até a cicatriz fica quase imperceptível ou não fosse a cirurgia feita pelas mãos de um cirurgião plástico. 
O tempo de espera quase levou-me à exaustão, duas horas e meia, ora sentada ora de pé, e a sentir tal fome que não se pensa em mais nada, sai do hospital quatro horas depois de ter entrado, e já que o dia estava por minha conta decidi ir até à maior área comercial de Setúbal para almoçar, vai daí fui até ao "Allegro"  mas enquanto esperava pelo autocarro, que me levaria até lá, uma senhora fez de mim sua confidente, e aproximadamente em vinte minutos  contou-me a sua história de vida, desde que saiu da Africa do Sul, onde nasceu, filha de pais portugueses, e aos anos que vivia em Portugal, entretanto o autocarro da senhora chegou e despedimo-nos, nesse exato momento chega outra senhora e começa também a fazer confidências, essa oriunda de Angola mas era portuguesa pois, tinha nascido lá, ainda Angola era uma colónia portuguesa, e dizia que nunca mais iria voltar a Angola, não lhe deixou saudades, ainda lá tem familiares, serão eles a visitá-la caso tenham saudades dela.
Chegou o autocarro e entramos as duas, a senhora saiu antes de mim e despediu-se desejando-me muitas felicidades e dizendo que gostou muito de falar comigo, sim a senhora é que falou comigo, foi quase um monólogo, eu limitei-me a dizer uma ou outra frase de concordância. Até chegar ao destino pensei que que não era novidade nenhuma, desde que me lembro desconhecidos gostavam de conversar comigo, fazendo confidências, contando mágoas e dores que traziam consigo, quando era jovem nunca me incomodou essas ocorrências mas nunca analisei a minha atitude perante elas, eram perfeitamente naturais e aceitava-as como tal, depois com o tempo fui apercebendo-me, foi mesmo perceção, que as pessoas se aproximam de mim porque confiam, sentem que podem confiar, que o que contam fica em mim como num túmulo, e porque lhes dou tempo, porque guardo silêncio, só fazendo comentários quando estritamente necessários,  e principalmente porque sinto que quando se despedem vão mais serenas, gratas por alguém lhes dar atenção, e eu fico feliz por um tempo limitado poder ser o ombro amigo de alguém que carrega pesados fardos.
E cheguei ao "Allegro" e já que tinha o tempo a meu favor, esfomeada como estava devorei um salada de massa integral, com ananás, queijo feta,  camarões, rúcula, etc. e um sumo natural de goiaba, e no final tive de beber um café porque a tensão arterial estava tão baixa que já sentia-me como se navegasse num mar encapelado, habituei-me, julgava impossível, a beber café sem açúcar, e descobri um prazer especial mas também o café tem de ser muito bom, há por aí alguns que são mesmo puro veneno. Depois andei por ali a ver onde "paravam as modas" e, com não poderia deixar de ser, ir à "FNAC", ver onde param as novidades literárias e musicais, e outras coisas mais. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Crise migratória

O fenómeno que está a assolar a Europa, e que diariamente entra pelas nossas casas adentro, leva-me também a fazer comentários, começando por dizer que é um fenómeno que me causa emoção e preocupação: emoção porque de facto há imenso sofrimento neste êxodo, um povo que tem de fugir da sua pátria é um povo que sofre, quanto à preocupação centra-se no facto de que nesta vaga de refugiados, imensas famílias, não virão também extremistas cuja vinda para a Europa tem como finalidade poderem aqui cometer todas as atrocidades que se julgam no direito de cometer em nome de um deus cruel e sanguinário.
É louvável a hospitalidade dos países que abriram as suas fronteiras a estes filhos da desgraça, embora agora comece a haver recuos, porque começa a ser insustentável esta afluência que irá futuramente, se não já, envolver e movimentar uma série de instituições que para muitos dos países economicamente é difícil de manter. Portugal é um deles, com um povo hospitaleiro sempre pronto a abrir os braços a todos os que em "lágrimas e prantos" nos buscam, terá a sua quota parte no acolhimento aos refugiados da Síria, e, sem melindrar quem possa ler este modesto texto, pergunto eu: E, mais que a parte económica, que não deixa de ser relevante,  falando em defesa, como é que sabemos que alguns desses loucos extremistas não nos entram portas adentro, é que esses filhos do demo dizem que Portugal ainda será deles, isto devido ao facto de este território já ter sido muçulmano, usando um pouco de ironia; como somos um povo mesclado, começando pelos autóctones, depois os suevos, os visigodos, os romanos, os árabes ou mouros,  e os judeus, porque motivo se julgam eles com direito a este território. Deixem-nos em paz, e, se for possível, que Portugal consiga juntamente com os países europeus encontrar uma solução para esta calamidade, apelando a todos os deuses que nos possam ouvir, se é que não fazem orelhas moucas.     

domingo, 6 de setembro de 2015

Festa



Fui, Sexta feira e Sábado, à Festa do Avante, hoje Domingo já não tive paciência para tanto barulho e tanta gente. Só há poucos anos, seis ou sete que vou a esta festa, estou a incorrer em erro, inicialmente, há quarenta anos, ainda lá fui durante uns anos mas entretanto passaram-se anos sem isso acontecer. Voltei a ir, convidada por uma amiga que é comunista ou pelo menos é filiada, o que não é o meu caso, sou completamente, totalmente, apartidária, e tenho aproveitado para ver, por um preço irrisório, pelos três dias, alguns concertos e outros espectáculos que fazem parte do programa da festa, e que de outro modo seria impossível devido à falta de verba.
Estou sempre a dizer que tenho fobia da multidão, e parecendo uma contradição, vou para um espaço onde o que mais existe é multidão mas vou explicar o porquê dessa atitude: Estou a provar a mim própria que consigo dominar esse medo, que consigo dominar a sensação quase de desespero que me impulsiona a sair dali rapidamente, isto é a maior prova que submeto-me durante o ano para poder ouvir algumas bandas ou cantores a solo, porque sou muito selectiva nos meus gostos pessoais e francamente alguns são, para mim, um atentado à música. Ainda bem que há para todos os gostos, sou completamente a favor da diversidade.
Depois também há áreas que merecem a visita: como a do artesanato internacional, a área internacional propriamente dita, onde os países comunistas têm a sua cultura, que inclui artesanato e gastronomia, e a sua escolha politica exposta. Há a Feira do Livro que eu muito prezo como sabem, pavilhões para debates, palestras e discussões politicas, sempre e só relacionadas com o Comunismo, há pavilhões onde decorrem exposições, pavilhões que apresentam a gastronomia de todas as regiões de Portugal, o seu artesanato e a sua música, e sabe tão bem, no mesmo espaço, provar e deliciar-nos com com todos eles. Perco a cabeça pelos bolinhos de amêndoa em forma de frutos, animais ou flores do Algarve, a ginjinha de Óbidos num copo de chocolate, e na área internacional ainda bebi um "mojito" e uma "caipirinha", e fico mesmo por isso, é só mesmo para me "internacionalizar". 

sábado, 29 de agosto de 2015

Momento relaxante


Ontem deu-me para ir colher estes frutos maravilhosos, e não são propriamente fáceis de colher, talvez o momento não fosse tão relaxante assim, é necessário cuidado, pois os picos das silvas arranham-nos as mãos e os picos dos figos da índia espetam-se nelas. Mas valem o sacrifício, são deliciosos. Estas delícias são colhidas todos os verões nuns locais que pouca gente lhe tem acesso, são praticamente a minha horta privada, tive o cuidado prévio de saber que não são propriedades privadas, tendo portanto toda a liberdade de deslocar-me por lá.
Estes frutos estão sobejamente ligados às memórias da minha infância, quase posso dizer que comi toneladas deles, foram horas passadas a calcorrear matos com silvados e campos com cactos, que serviam para os delimitar. Vou divulgar um segredo, os figos da índia da foto foram colhidos junto da minha casa, estão mesmo ao lado do gradeamento do terraço, e aprendi com um simpático vizinho a retirar-lhes os picos, basta coloca-los no chão, de preferência num espaço cimentado ou empedrado, depois com uma vassoura de cerdas rijas basta varre-lo para os picos se soltarem, e depois  com uma pinça de cozinha apanhar, lavar e descascar, com algum cuidado porque podem ficar alguns picos, são praticamente transparentes e doem imenso nas mãos, e se acontecer é fácil de os remover, basta passar azeite nas mãos e com papel eles saem. Mas já sou uma expert.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Turista em casa


Hoje, nesta vila, Sesimbra, senti-me mesmo uma turista, isso devido a alguns verões passados ter perdido o hábito de sair à tarde, por estes factores: o calor, é que fico mesmo incomodada; pela multidão que circula pelas ruas, as pessoas quase chocam umas com as outras, algumas até gostam provavelmente, eu dispenso. Estava em casa, e, de repente, lembrei-me da feira do livro aqui na vila, como sabem sou completamente viciada em literatura, ganhei coragem e meti pernas ao caminho, arrisquei caminhar pelo meio da multidão e fui até lá, claro que gastei uns euros, não consigo resistir àquele antro de pecado. Depois de comprar três livros, e já que andava mesmo pela marginal fui comer um gelado, daqueles da "Prime", os melhores cá para mim, sentada na esplanada, descontraída, para grande espanto meu, senti-me mesmo uma "camone" a curtir férias aqui neste burgo à beira mar plantado. Só não fui à praia porque à tarde é impensável tal momento de lazer, as pessoas estão quase em cimas umas das outras, e o ruído produzido é altamente irritante, deixa-me tensa, daí só ir à praia quase ao nascer do sol, quando na praia o número de pessoas é reduzido, quase ninguém, estou lá às sete e meia e às dez, quando começam todos a chegar, e a montar o estaminé, regresso à base, ou seja a casa. Mas percorrer a marginal num dia de Agosto a meio da tarde, e  sozinha, foi uma vitória, noutro dia tenho de comemorar, vou à "Prime".

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Origens






Esta praia fluvial do rio Sorraia situa-se na linda vila de Coruche, no distrito de Santarém. É um espaço aprazível e muito relaxante, tem um percurso pedestre longo que proporciona caminhadas bem agradáveis, para mim era logo de madrugada, e saudáveis. Já agora informo que é sede do concelho onde nasci.