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domingo, 12 de agosto de 2012

Devaneio

Para esquecer, dias como este, também preciso de um sorriso assim, um sorriso que, como o poeta diz, tivesse muita luz, para iluminar o meu lado mais sombrio.


Creio que foi o sorriso,
o sorriso foi quem me abriu a porta.
Era um sorriso
com muita luz
lá dentro, apetecia
entrar nele, tirar a roupa,
ficar nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer
Naquele sorriso.

Eugénio de Andrade

Curiosidade

Penso que todos sabem o que significa XPTO. É uma expressão usada para descrever uma coisa fora de série, ou de excelência.

Mas a origem da expressão vem do facto de antigamente o melhor vinho ser reservado para as igrejas, para celebrar a missa. Os barris com esse vinho eram assinalados com as letras gregas que representavam a palavra Cristo. Essas letras são o Chi (X), o Rho (P), o Tau (T) e o Omicron (O), que passam a ser lidas ao modo latino.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Amar, amar para além de...

Sentada na praia deserta,vê, fascinada, a apoteose dramática de vermelhos, laranja, ouro e violetas, que o sol exibe ao afundar-se no profundo azul do mar.
Apercebeu-se que escrevia repetidamente um nome na areia e o recitava mentalmente como um "mantra". Sabe, sempre que isso acontece, que aquele que invoca se torna presente através da visualização, é uma capacidade que aprendeu a usar a partir do dia em que se conheceram.
E quando se conheceram teve a mais estranha percepção que alguma vez teve, conheciam-se, sim conheciam-se sem nunca se terem visto, e no olhar dele havia exatamente a mesma pergunta, mas de onde?
Os olhos interrogavam-se, mas nunca essa interrogação foi expressa em palavras, como se fosse dispensável. Nunca da palavra se fez uso, apenas o silêncio e o olhar, onde ela começou a ler mensagens que não se permitia perceber, inicialmente fugia com o seu, depois timidamente, colocando reservas, deixou-o ir ao encontro do dele.
Sempre teve reservas, até receio desses olhares, quase sempre transmitiam desejo, desejo físico, mas aqueles não, falavam-lhe outra linguagem, não quis arriscar, sair da sua zona de conforto, ir para lá da "zona proibida".
Mas aquele olhar perseguia-a, penetrante, ia até ao âmago, como se a conhecesse intimamente, como se tivessem partilhado algo só deles.
Deixou o coração sobrepor-se à razão, e teve a certeza que era amor, amor antigo, sem tempo nem hora, outra certeza foi que o iriam sentir enquanto caminhantes na vida terrena, e que talvez nunca mais se voltassem a encontrar, nesta encruzilhada o encontro serviu apenas para se reconhecerem. Ela muito mais tarde soube em que outra vida se tinham amado, e que na vida atual nunca mais se iriam ver.
Na memória, e mais ainda na alma, gravados a fogo ficaram os escassos gestos de ternas carícias, fugazes, discretas, um aperto de mão mais demorado e intenso, o acariciar levemente o cabelo dela, a planta florida que lhe colocou nas mãos com tal ternura que a deixou arrepiada, gestos esses  sempre acompanhados pelo olhar que tudo dizia, o gesto mais veemente foi na despedida um leve e tímido roçar dos lábios.
Ela soube, a alma disse-lhe que sim, que se iriam amar para sempre, num tempo paralelo, noutra dimensão, que é difícil de explicar, e de todo inacessível a quem não confia ou não acredita nestas faculdades, por quem não sabe usar se não os sentidos físicos.
Não duvida que é amada como nunca foi por alguém, sempre que visualiza aquele olhar continua a ver esse amor.
Anoiteceu, presa da mais intensa emoção levanta-se e entra no mar, aí deixa que as saudades lhe escorram pelo rosto, para suavemente se fundirem no seu elemento.
Amores assim não se explicam, acontecem, e só a alguns é concedido amar assim.





sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Puro consumismo

Estas obras foram lidas num ápice, numa semana, foram horas e horas seguidas de boa leitura.

A primeira fala-nos de um amor impossível numa Espanha franquista sob os resíduos de uma violenta e cruel guerra civil.

A segunda é também uma história fictícia de amizade e amor, mas também da violência mais brutal,  que se desenrola num Afeganistão
bem real, um país violentado e martirizado depois da queda da monarquia.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Beleza! A quanto obrigas.

Quando nós, mulheres, nos encontramos para "por a conversa em dia", entre vários temas um é recorrente; a beleza feminina e a publicidade que disso se alimenta.

Cada vez mais a mulher se escraviza por um conceito bastante relativo, que criou um, e continua a manter-se, padrão de beleza, que quem não corresponder a esse ideal se sente infeliz, frustrada e até deprimida.

Entre nós fazemos comentários que oscilam entre os sarcásticos e anedóticos, até aos mais sérios e respeitáveis, por exemplo, quando nos referimos à Lili Caneças, entre outras, que está quase plastificada de tanto se submeter a cirurgias plásticas, que demonstram a total falta de bom senso e o medo absurdo que a senhora tem de envelhecer, os mais sérios, quando comentamos a cirurgia plástica como recurso para casos dramáticos provocados por acidente ou malformações.

Nenhuma de nós é contra os tratamentos e técnicas que atualmente dispomos para melhorar a aparência física, sem cair em extremismos que vemos diariamente, (quem vê) nos meios de comunicação social, principalmente as chamadas revistas cor-de-rosa.

Há uma ou outra que diz se tivesse meios económicos, faria uns retoques, daqueles bem subtis, para disfarçar ou até eliminar umas ruginhas, outra poria as maminhas no lugar, e outras fariam tratamentos que passam pelos faciais e corporais: massagens com pedras quentes, chocolate, algas, sal do mar Morto, aromoterapia, reflexologia, shiatsu, etc, que eu pessoalmente não desdenharia, bem preciso desses mimos.

Envelhecer tornou-se "demodé", mas que infelizmente continua a acontecer, é um processo inevitável, toca a todos  caso não morram jovens. O envelhecimento apavora as mulheres, e também os homens, estes são mais discretos, elas sentem que deixam de ser desejáveis, de perder o poder de seduzir, de serem excluídas dos jogos de atração, como se fossem esse os elementos vitais para amar e ser amada, isto a somar ao grande desejo da humanidade, ser imortal, criou-se uma industria cada vez mais rentável, e ainda mantém muitos psicólogos em atividade.

Já agora, uma curiosidade: Ficamos a saber através de estudos científicos publicados nos Archives of Sexual Behavioux, que os homens perdem algumas faculdades mentais quando conversam com mulheres, e perdem-nas completamente se as mulheres são lindas, elegantes,  e "boazonas".

Dai concluirmos que o que leva a mulher a sofrer para ser bela é a vitória que alcança quando domina o homem, o seu lado mental é claro, que o lado animal esse fica de antemão completamente dominado só de ver, a sua mente começa a interpretar todos os sinais como aliciamento ao sexo, o que provoca perda das faculdades mentais. 





domingo, 15 de julho de 2012

Para ti


Que o caminho seja brando a teus pés,
o vento sopre leve em teus ombros.
Que o sol brilhe cálido na tua face.
As chuvas caiam serenas em teus campos.
E até que de novo te veja,
que os Senhores te guardem nas palmas de suas mãos.

Oração Druida

domingo, 1 de julho de 2012

"Calhandrice"


 "Pexitos" à janela
"calhandrando"



"calhandrando"- do verbo "calhandrar"- substantivo "calhandrice".
É uma das atividades preferidas dos "pexitos", pois neste contexto significa observar os outros e falar acerca deles, sem que estes se apercebam.

 Tem origem na manifestação sonora de uma ave conhecida por calhandra, no Brasil por uma espécie de sábiá.





"Pexito"- nome como é vulgarmente conhecido um natural de Sesimbra.