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sábado, 30 de abril de 2016

PERDIDA NA ( pelas histórias) HISTÓRIA

 "Este livro precioso resulta de uma investigação que deu também origem à reportagem homónima publicada em 2014 pelo jornal "Público".
 O obectivo desta reportagem foi, em primeiro lugar, descobrir se tinham existido portugueses nos campos de concentração, e, em segundo lugar confirmada a sua existência contar as suas histórias."
 "A aventura que foi a viagem marítima da corte real para o Brasil naquele ano de 1808."
"Num reino épico descobrimos as sombras de um homem capaz de transfigurar em função dos seus desígnios: O transparente e o oculto, o benigno e o sinistro, o afectivo e o insensível, marcas que deram forma à personalidade de um rei fascinante que marcou uma época."
 
"Um romance que revela os bastidores da teia política de um tempo áureo da História de Portugal."

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Reerguer

Todos os dias, era já um ritual, a discussão começava por qualquer motivo, por mais fútil que fosse, era porque a roupa estava mal engomada, era porque a comida que fazia era uma porcaria, porque lhe gastava o dinheiro todo, ele que trabalhava no duro, chamava-lhe inútil, que não tinha jeito para nada, ela tentava argumentar dizendo que andava muito cansada, não queria discutir, queria conversar, falar sobre o motivo que originou toda aquela violência verbal. Ele dava por terminada a conversa, se a isso se poderia chamar conversa, e saía de casa batendo com a porta, de tal modo que não faltaria muito tempo para que esta se desconjuntasse.
Mariana ficava destroçada, tentava encontrar explicações para tanta mudança no marido, era verdade que nunca foi o companheiro, o amigo, o amante, o cúmplice que sonhou, era apenas o marido, fazia o seu papel, chegava a casa cansado, no início de casados ainda lhe dava um beijo, depois foi-se esquecendo, limitava-se a dizer boa noite, era quase sempre à noite que se voltavam a ver depois de saírem de manhã para os respetivos empregos. Ainda assim nos fins de semana saiam os dois, iam até à pastelaria mais afastada do bairro, aproveitando faziam uma caminhada, para tomarem o pequeno almoço, por vezes também iam ao cinema sábado à noite.
Quando ficou grávida já há muito tempo que Mariana sentia o afastamento do homem com que casou mas continuava a desculpá-lo. A filha nasceu, e a sua vida virou inferno, andava numa roda viva, deixava a filha com a mãe, ia trabalhar, regressava para ir buscar a filha, cuidar dela e dos afazeres domésticos, ficava extenuada, o marida nada fazia até aí mas que tinha sempre a primazia sentiu-se negligenciado, começou a lastimar-se, no início eram apenas queixas mas rapidamente passaram a insultos, ainda se esforçou  dizendo-lhe que se ele a ajudasse, por mais pequena que fosse a ajuda, as coisas iriam melhorar com certeza, também andava cansada, com noites mal dormidas, ah! quanto às noites, ele dormia invariavelmente no sofá da sala porque a filha não o deixava dormir, nas noites que ficava na cama de casal era apenas pelo sexo, apenas uns gestos mecânicos para obter o seu prazer, ela... queria lá saber dela!
Ela submetia-se, era a sua "obrigação", com o pensamento noutro lado qualquer, quando terminava o único suspiro que dava era de alívio.
Desejava profundamente que ele se esquecesse dela mas ao mesmo tempo sentia pavor de o perder para qualquer "galdéria" ou que fosse "às meninas", aí o pavor aumentava, a SIDA andava por aí a fazer vítimas.
Tornou-se uma mulher amargurada, deprimida, com a auto estima completamente na "lama", que se auto-mutilava, batendo com a cabeça nas paredes, arrancava o cabelo e dava brutais bofetadas a si própria, insultava-se, como se merecedora de tais "elogios".
Deixou de ter sexo com ela, soube seguramente que tinha uma amante, à qual ficou grata por a ter libertado da "obrigação", o dinheiro que habitualmente lhe entregava para as despesas da casa foi reduzido, apesar das dificuldades ainda assim a vida tornou-se muito mais suportável mas continuava a sentir-se um farrapo, incapaz de tomar decisões para mudar a sua vida.
Quando a filha terminou o secundário, o marido que já andava com graves problemas de saúde, que todos sabiam ser fatal, foi hospitalizado, Mariana desempenhou o seu papel de esposa "devota", diariamente era presente naquele hospital, quando o marido passou para os cuidados paliativos sentiu que tudo perdia o sentido, tão enraizado tinha em si a ideia do sofrimento.
Ainda na fase inicial da doença foi muitas vezes ameaçada de morte, se julgava que iria ser uma "viúva alegre" desenganasse, porque ainda a matava primeiro.
Quando um dia ao chegar ao hospital recebe a notícia que o marido tinha falecido ficou quase chocada com o despreendimento, a indiferença que sentiu perante tal notícia, serenamente começou a tratar do expediente seguinte, informar familiares e amigos e tratar do funeral.
No dia do funeral Mariana, num arrojo de coragem, quando o caixão desceu para a cova, espontaneamente, sem se preocupar com os presentes deu o "grito do Ipiranga", em voz alta disse: - Até que enfim, sou uma mulher livre!
Muito calma deu a mão à filha e voltando as costas saiu do cemitério dizendo para si própria que nunca mais iria, enquanto viva, àquele local e nem depois de morta. 
Procurou ajuda e lentamente começou a reerguer-se começou a valorizar o que tinha construído, a apreciar as coisas boas que a vida lhe oferecia, no emprego foi promovida, com o ordenado aumentado, uns anos depois a filha deu-lhe dois netos lindos, tem uma boa relação com o companheiro da filha, e sente-se uma sortuda por ter uma família maravilhosa, que ama e pela qual sabe que é amada. Tem um leque de amigos com os quais partilha viagens, tertúlias, e lhe proporcionam momentos inesquecíveis, começou a frequentar a universidade com a finalidade de se formar em psicologia, diz que quer entender a mente perversa dos seres humanos, quando na brincadeira lhe dizem que deveria arranjar um namorado responde a rir que já teve a sua dose, tornava-se mais depressa lésbica.

domingo, 3 de abril de 2016

Por montes e vales



Ontem, dia 2-04 mais uma caminhada pela linda serra d'Arrábida com o fantástico guia da SAL. Foram catorze Kms a relaxar e a deixar a vista maravilhar-se com este espaço magnifico. A primeira foto é da capela de Alcube, uma capela cristã cujo nome vem do árabe al kubba, antigo monumento funerário ou mausoléu, existente aqui, que depois da cristianização do território foi adaptado e acrescentado passando a funcionar como templo cristão. Está actualmente abandonada, o que leva a que no futuro apenas restem ruínas. Até 2013/14 ainda ali decorreram cerimonias religiosas e festas pagãs em simultâneo.    
 
 
 








segunda-feira, 28 de março de 2016

quinta-feira, 3 de março de 2016

Elucidação

Por vezes tenho a sensação que saio de mim, como se me reportasse a outras vidas, são momentos muito rápidos, quase não consigo perceber o onde e o quando mas há um desses momentos que acontece frequentemente, sempre que entro num castelo lá vem aquela sensação de que já por ali andei, que aqueles espaços são estranhamente familiares, não sendo possível visualizar-me é apenas pela sensação, pela perceção rápida ou intuição que numa vida passada por ali andei. E isto ficaria sem resposta, pois nunca pretendi saber se isto é verdade, se não fosse o caso de ter contado a uma pessoa, com quem me sinto à vontade a falar destes fenómenos, e ela dizer com a maior naturalidade que sim que eu já tinha noutra vida habitado num castelo, conseguia visualizar-me perfeitamente, descrevendo o meu aspecto físico, e a indumentária da época. Como a conversa dava "pano para mangas" e havia outros afazeres demo-la por terminada mas fiquei curiosa, pretendo obter mais informação, caso ela possa dar, se for possível situar-me em determinada época, local e quais as minhas funções nesse local, iria gostar de ter esse conhecimento. Quem sabe se não terei sido uma grande dama de alguma corte, pois há uns anos atrás numa consulta de tarot, (também aí procurei ajuda quando completamente perdida) disseram-me que eu noutra vida tinha tido muito poder, que subjugava e manipulava os outros a meu bel-prazer, supostamente seria nessa época, porque a acreditar na roda da vida, nesta submeti-me aos outros e sou, fui, muitas vezes manipulada. Já agora o castelo onde tive mais intensamente essa sensação é o castelo de Ourém no distrito de Santarém.
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terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Para acalmar

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Justiça!

Tenho dias que só quero ir para o "deserto" , quando estou confusa, perplexa com o comportamento dos que me rodeiam, mais especificamente a família, é que não consigo de todo aceitar que uma pessoa insulte apenas porque lhe dá na real gana, e sair impune porque ela própria de antemão se desculpa dizendo que o que diz não é por mal, com o desplante de ainda acrescentar que não disse nada disso ou que não se lembra de proferir tais palavras, ora isto é uma tremenda hipocrisia, assim todos os outros têm de o absolver, e aí de quem o condenar, passa rapidamente a vitima. É incapaz de formular um simples pedido de desculpa, os que são insultados têm de "engolir" os insultos, o que não é nada saudável, é necessário ter uma boa auto estima para não ficar incomodado por tais "elogios" , e para além disso provoca distanciamento entre os familiares, porque nem todos tem arcaboiço para aceitar que a pessoa é assim, que não altera o seu comportamento gostem ou não. Tem uma frase chave que é indiscutível: "Eu sou assim, não digo por mal", portanto ofender, insultar, levantar falsos testemunhos, humilhar é para ela naturalíssimo, visto que não é intencional, o problema é dos outros, eles é que criam dramas. Sou apanhada no meio, como é habitual, e tento colocar "os paninhos quentes", ou seja tento relevar o assunto na medida que o que insulta e os que são insultados, eu inclusive,  são todos queridos, ficando no meio sofro a dobrar, é fácil dizer que tenho de me manter neutra mas vivo diariamente a situação porque não tenho o distanciamento necessário para criar defesas ou porque não quero criar esse distanciamento pelos que amo. Lamento que a pessoa em questão não se esforce para reconhecer os seus erros, as suas falhas, isso seria dignificante da sua parte, porque tenho o estranho pressentimento que vai ficar muito só, quando digo só é mesmo pelo afastamento dos outros que não lhe toleram o comportamento, e não só a família também os poucos amigos se ressentem desse comportamento, deixando alguns de lhe dirigir palavra.