Sou uma fã acérrima de cinema. Não me contento com o cinema caseiro, aquele vídeo que se vai buscar ao clube, leva-se para casa, sentamos-nos muito confortavelmente no sofá e deliciamos-nos com o filme escolhido, para mim é muito limitado, embora por vezes seja agradável. Gosto do movimento que se gera no átrio dos cinemas, de ouvir os comentários de quem vai entrar e os de quem vêm a sair e principalmente gosto da sala onde o filme é projectado. Tentando analisar esse gosto não chego a nenhuma conclusão, gosto simplesmente porque gosto.
Isto para dizer que o último filme que vi foi o "Invictus". É um filme admirável, Morgan Freeman faz uma interpretação extraordinária de Nelson Mandela, conseguindo demonstrar a sua sensibilidade, integridade e força moral, por momentos quase nos esquecemos que é um actor a dar vida à personagem.
Também o actor Matt Damon, no papel de François Piennar (capitão da selecção sul-africana de râguebi), é magnifico.
Uma das caracteristicas da personalidade de Nelson Mandela é a sua enorme capacidade de perdoar e também a coragem para criar e unir um país (do arco-irís).
Aconselho (não inventem desculpas para não o fazer) a ver este filme, aprendam uma lição de humanismo.
"Invictus" = Invencível
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
Voltando a falar de pecados capitais

Num tema anterior, pecados capitais, quero fazer uma correcção, quando digo que os considero falta de carácter e de princípios, exagerei, não sou extremista, moralista, nem puritana para me permitir julgar os outros, nem fazer juízos de valor. É verdade que os sete pecados capitais fazem parte da moral instituída e não só da moral religiosa, a sociedade também nos "aponta o dedo", mas em contrapartida aceita outros que os contrariam na totalidade. A vaidade, a inveja, a ira, a preguiça, a avareza, a gula e a luxúria, se bem doseados, são pecados menores. Incorremos em falta, isso sim, quando nos deixamos dominar por qualquer um deles, quando nos tornamos seus prisioneiros. É claro que todos nós os cometemos, em maior ou menor proporção.
Começo pela vaidade, quem não é um pouco vaidosa, sem ser narcisista? Pois é! um pouco de vaidade faz bem, eleva-nos a auto-estima. Termos vaidade em sermos quem somos e naquilo que fazemos. É tão bom gostarmos de nós.
A inveja, esta tem a capacidade perversa de fazer sentir o invejoso uma pessoa amarga e infeliz, mas caramba! quem nunca invejou o alheio. O negativismo da inveja está no facto de não se conseguir convertê-la em algo positivo, de tentar também nós alcançar o nosso "lugar ao sol" em vez de nos "roermos de inveja".
A ira, quem nunca a sentiu não sabe o enorme prazer que se sente ao nos reconciliarmos com aqueles que nos provocam a ira. Temos o direito de defender os nossos argumentos, claro que sem usar a
violência, tanto física como verbal, mas irra! há pessoas que nos tiram do sério, por vezes é preciso levantar a voz.
A seguinte, ai! que cansaço! Se o trabalho dignifica o Homem eu quero ser bicho. A preguiça, quem nunca quis ficar na cama um pouco mais, em vez de correr para o local de trabalho, quem nunca lhe apeteceu não "mexer uma palha" "que atire a primeira pedra.
Ser altruísta, querer ajudar os outros, tirar a camisa do corpo para vestir o outro, é dignificante, faz de nós seres superiores, mas temos de saber quais os limites, esquecermo-nos de manifestar os nossos desejos e vontades não faz de nós "santos". Por isso um pouco de avareza é bom, aquela "dose" que permite manter o respeito por nós próprios.
Que bom, este é o mais delicioso, mas cuidado é preciso resistir à gula ou pelo menos moderá-la, se não o fizermos sofremos as consequências, a saúde a deteriorar-se, a auto-estima a baixar, "curvas" onde não deveriam estar, "pneus" que não deveriam existir.
Por último a luxúria, esta tão "excomungada", pois é, a moral cristã fez do sexo um acto vergonhoso, o prazer foi completamente erradicado, passando a ser conectado a luxúria.
Sempre me intrigou a contradição que a igreja faz à palavra de Deus. No princípio Deus disse: " Crescei e multiplicai-vos". Será que este multiplicar não era feito pelo sexo? Se era, parte-se do princípio que era exactamente igual ao actual, salvo as novas opções. Ora para se fazer "amor" é necessário sentir desejo e sentir prazer, pois se isso não acontece quem é que quer fazer "amor". Deus não deve de ter separado as coisas, a multiplicação da espécie, o desejo e o prazer. Ainda bem que nós já o fazemos, ufa!
Afinal cometer uns "pecadilhos" é bom e recomendo. E nada de sentimento de culpa.
sábado, 9 de janeiro de 2010
Pecados Capitais
(inveja)
Dos pecados capitais, considero-os falta de carácter e de princípios, considerados os mais ignóbeis, há dois que eu tenho plena consciência que não cometi; a avareza e a inveja, mas assumo a "mea culpa", eu pobre pecadora invejo, juro que é a verdade mais nua, nunca invejei nada nem ninguém e dou por mim a invejar o meu professor de Yoga. Está a viajar pela Índia, e pelos Himalaias, encontrou-se ou irá encontrar-se com o Dalai-lama, homem que eu admiro profundamente, e gostaria igualmente de encontrar.
É um sentimento mesquinho, mas pronto, "quem nunca pecou que atire a primeira pedra" quem é que não gostaria de fazer o mesmo? Portanto é uma inveja muitíssimo natural, sem "corantes" nem "conservantes", isto é, não tem maldade, rancor ou ressentimento, conceitos que habitualmente fazem parceria com a inveja. Não queria estar no seu lugar, gostaria sim de o acompanhar.
Desejo-lhe do coração que faça a "viagem" inesquecível, daquelas que nos "marcam".
Que volte mais enriquecido de sabedoria, para a poder partilhar connosco, os seus alunos.
Dos pecados capitais, considero-os falta de carácter e de princípios, considerados os mais ignóbeis, há dois que eu tenho plena consciência que não cometi; a avareza e a inveja, mas assumo a "mea culpa", eu pobre pecadora invejo, juro que é a verdade mais nua, nunca invejei nada nem ninguém e dou por mim a invejar o meu professor de Yoga. Está a viajar pela Índia, e pelos Himalaias, encontrou-se ou irá encontrar-se com o Dalai-lama, homem que eu admiro profundamente, e gostaria igualmente de encontrar.
É um sentimento mesquinho, mas pronto, "quem nunca pecou que atire a primeira pedra" quem é que não gostaria de fazer o mesmo? Portanto é uma inveja muitíssimo natural, sem "corantes" nem "conservantes", isto é, não tem maldade, rancor ou ressentimento, conceitos que habitualmente fazem parceria com a inveja. Não queria estar no seu lugar, gostaria sim de o acompanhar.
Desejo-lhe do coração que faça a "viagem" inesquecível, daquelas que nos "marcam".
Que volte mais enriquecido de sabedoria, para a poder partilhar connosco, os seus alunos.
domingo, 3 de janeiro de 2010
espaço de devoção
sábado, 26 de dezembro de 2009
O Nosso Nobel da Literatura (1998)
Será preciso dizer mais?
Talvez não! Ou será?
Pois penso que sim! Ia lá deixar de vos dar esse prazer, esse "gostinho" de saberem o porquê de eu gostar de Saramago! Era impensável! Ah! Ah! Ah! ( não gosto de hi! hi! hi!, não gosto do risinho de hiena, gosto mais da gargalhada).
Sem mais delongas passo a explicar, ou melhor a esmiuçar (gosto mesmo desta palavra), os motivos por esta preferência.
Gosto do seu modo desafiador, provocador, irónico e directo, dos comentários que parecendo ofensivos, ( há muita boa gente que se ofende sim senhor!), são no entanto verdadeiros, e é verdade que a verdade é por vezes dolorosa. Gosto da sua forma peculiar de escrever, do sentido de humor, que se capta nas suas obras, umas vezes sarcástico e cru, outras sofisticado e requintado. Iniciei a leitura das suas obras pela "Jangada de Pedra", o que se diga em abono da verdade, me fez desistir, mas como sou teimosa por natureza, voltei a insistir e lá o li, o pior é que mesmo depois de ver o filme continuei sem perceber muito bem o enredo, ( isto talvez seja porque sou loura).
Mas despertou em mim algo, talvez uma atracção, não é fatal, mas irresistível, foi com o " Memorial do Convento" que me rendi. Seguiram-se "Terra de Pecado", o seu primeiro romance, " O Ano da Morte de Ricardo Reis; " O Evangelho Segundo Jesus Cristo", e por este quase foi excomungado, é um tema inquietante, mexe com valores dados como adquiridos, mas não o incomodou minimamente, visto ser ateu. " O Ensaio sobra a Cegueira" que me levou a ver o filme baseado na obra, ambos me impressionaram, levaram-me a ponderar "as cegueiras" que nos afectam.
O último que li foi "O Homem Duplicado", "que é um dos mais belos romances, uma intriga complexa, conduzida por mão de mestre" fazendo minhas as palavras da editora. (não há qualquer registo pessoal que identifique o comentário).
O seu ultimo comentário foi bombástico, mas (lá está o malfadado mas) o que comentou, embora ofendendo altas estâncias, a Bíblia é mesmo um "manual de maus costumes, um catálogo de crueldade e do pior da natureza humana". Só quem não leu poderá questionar, está recheada de: fratricídio, violações, perseguições, sentenças de morte, genocídios, guerras, provas cruéis de confiança, traições, adultérios, infanticídio, sacrifícios, se isto não é um manancial de horrores, o que será? E estando sujeita ao julgamento da "inquisição", estou plenamente de acordo com o comentário, é indiferente, já fui condenada a tantas "fogueiras", que estou naquela : "os cães ladram mas a caravana passa".
Segundo o pastor adventista Artur Machado: " a violência relatada é uma consequência dos actos humanos e não de Deus".
Na minha memória ficou uma frase de Saramago na obra "O Homem Duplicado" : "autênticos labirintos cretenses que são as relações humanas".
domingo, 20 de dezembro de 2009
Quase anedota
Detesto as tarefas domésticas, excepto cozinhar, adoro, aqui sou mesmo vaidosa, sei fazer umas coisas, mas sou tão exigente comigo, quase perfeccionista, daquelas de endireitar um quadro, apanhar um grão de areia no soalho encerado, de soprar um pelo num vidro, que mesmo contrariada, não suporto ver a minha casa desorganizada, lá me vou sacrificando. Este comentário é a propósito de: sempre que há uma festa cá em casa tenho uma verdadeira obsessão pela limpeza da casa-de-banho, (haverá algum psicólogo para explicar esta mania), têm de estar resplandecente, desinfectada, perfumada, etc.
Para a manter limpa exijo aos membros da família que não a conspurquem, e principalmente não usem as toalhas, mas como isso é "malhar em ferro frio", coloco toalhas limpas apenas no último instante, antes das visitas chegarem.
Sempre que faço isto lembro-me de uma anedota: Uma dona-de-casa organizou uma festa em sua casa, para homenagear o chefe do marido. Fez uma limpeza meticulosa à casa-de-banho, colocando no toalheiro umas maravilhosas toalhas bordadas, e pregou nelas um bilhete, informando que matava o primeiro que lhes tocasse. Os convidados chegaram, a festa decorreu e terminou como tinha planeado, quando todos saíram, foi à casa-de-banho, ficou em estado de choque, o bilhete continuava pregado nas toalhas, sendo fácil de deduzir que nenhum dos convidados as usou. O bilhete era para o agregado familiar, esqueceu-se de o retirar, coitado do marido, que grande vexame.
Eu não sou tanto assim, ainda não faço ameaças de morte, mas tenho vontade de fechar a porta com chave, e só a abrir quando os convidados chegarem, mas é melhor não o fazer, não vá esquecer-me de a abrir ou pior, perder a chave.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
MULHER (deusa) MULTIPLICADA
Por vezes sinto necessidade de me isolar, de ficar só, de ir até ao "deserto" para me encontrar, reconhecer-me, e analisar-me, pois disso depende o meu equilíbrio psíquico, algo que eu acho que todos deveríamos de fazer, ainda que hajam muitos que para não se terem de confrontar consigo mesmo procurem estar sempre rodeados de gente. A solidão nesta perspectiva é assustadora, fogem dela a "sete pés", quando ela os obriga a analisarem-se.
A solidão não tem para mim o sentido cognitivo que pretensamente lhe é dado, também é verdade que não a desejo permanentemente, mas como alguém um dia disse: "a solidão deveria ser como beber café: em poucas quantidades e poucas vezes" (com intervalos). É assim que eu bebo café, é assim que eu gosto da solidão. Voltando a falar de nos conhecermos a nós mesmo, já Sócrates dizia: "Conhece-te a ti mesmo", estou plenamente convicta da citação, para mim é o melhor método para conhecermos os outros, actuando como um freio para não os criticarmos tão levianamente e concluirmos que afinal somos todos feitos do mesmo barro, pelo menos a grande maioria, claro que há excepções, aqueles que nos fazem envergonhar de pertencer à raça humana, aqueles que por qualquer desígnio maléfico estão espalhados entre nós.
Comecei a divagar, isto era só para dizer que busco muitas vezes nos livros soluções para as minhas dúvidas, para a minha insegurança e principalmente para a minha ignorância, pois é : "Só sei que nada sei". Um meio a que recorro para me isolar é lendo, nos livros consigo entrar num mundo paralelo àquele do qual faço parte, por momentos não estou lá e existem livros que têm esse mérito.
Faço referência a um deles, que depois de o ler me elucidou ainda mais sobra a minha personalidade: " As Deusas em cada mulher", de Jean Shinoda Bolen, tenho recomendado a sua leitura às amigas, mas também seria gratificante que os homens se interessassem pela sua leitura, iriam conhecer melhor as mulheres, (e bem precisam, ai! ai! coitados!). Depois de o ler conclui que sou uma Perséfone (Gregos) ou Proserpina (Romanos), uma das deusas menos conhecida do Olimpo, uma deusa receptiva, introvertida (mas não muito), sensitiva, intuitiva, apreciadora da imaginação, e psíquica. Isto são alguns traços da minha personalidade, como Perséfone já fui "raptada", já desci ao "inferno", não tive foi um Hermes, (Gregos) ou Mercúrio, (Romanos) para me trazer de volta, tive que regressar sozinha, já senti sofrimento e tristeza imensos, (quase a desistir da vida). Mas tal como ela consegui ultrapassar essa fase com a ajuda de Hécate (deusa das encruzilhadas) e procurar o meu caminho, reunindo em mim todas as deusas, dai a complexidade da minha personalidade, Ah! Ah! Ah! Nem imaginam, nem queiram saber, é demasiado exigente essa analise, deixo muita gente confusa. Reúno em mim quase todas as deusas, pelo facto de me sentir "na pele" de quase todas, parecendo um paradoxo, actualmente convivem muito bem umas com as outras, (às vezes andam um pouco de costas viradas umas para as outras, mas é por pouco tempo), nem imaginam a "trabalhera" que deu, para se entenderem, para estarem todas no mesmo nível, nenhuma é superior à outra. Quando digo que reúno em mim quase todas as deusas, não estou a ter um complexo de superioridade, dá essa impressão, mas não é verdade, até sou moderadamente modesta. Sinto-me Deméter, (Gregos) ou Ceres (Romanos) a mãe, (sem ser possessiva), Hera, (Gregos) ou Juno (Romanos) a esposa, (sem ser ciumenta), e Afrodite, (Gregos) ou Vénus (Romanos) a amante, (sem ser promiscua). Diariamente esses arquétipos são solicitados a mostrarem-se e a manifestarem-se, embora numa escala mais reduzida, pois no Olimpo é sempre no Olimpo, (os deuses até podem estar loucos). Por vezes, quando são solicitadas, há outras deusas que se tornam presentes: Artemis, (Gregos) ou Diana (Romanos), há sempre um tempo para ser "caçadora", há pois é! Por vezes tenho de mostrar que sou livre, (já me libertei dos domínios, sou dona de mim), embora tenha criado laços. Também Atenas, (Gregos) ou Minerva, (Romanos) surge, esta mais vezes, o saber é para mim fundamental.
Vou terminar, comecei por mencionar o isolamento, pois foi numa fase de isolamento, que este livro foi adquirido, permitindo assim fazer a tal introversão e dai resultar um conhecimento mais aprofundado de mim. Há livros que vêm às nossas mãos no momento mais oportuno, este foi um deles. Bem-haja a sua existência.
A Dra. Jean Shinoda Bolen é médica psiquiatra, analista jungiana, professora de psiquiatra na Universidade da Califórnia - São Francisco.
Nota: análise jungiana - análise segundo Jung
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