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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Um Amigo Especial


Até onde remonta a minha memória, lembro-me que os livros sempre estiveram presentes na minha vida, começaram pelas histórias infantis, os romances cor-de-rosa, aos de aventuras, como por exemplo:"Os cinco", li toda a colecção. Outro género que adorei foi a BD, por exemplo: "Uma Aventura de Astérix, o Gaulês", ainda conservo alguns para recordar, por vezes dá-me a nostalgia. No início da adolescência, teria entre os onze e doze anos, um livro abriu o caminho para a viagem sem retorno, despertou-me os sentidos e deu origem à grande paixão que tenho pela leitura, com o título "Meu Pé de Laranja-Lima" de ´José Mauro de Vasconcelos, escritor brasileiro. Neste livro revi-me em determinados acontecimentos ocorridos na minha infância, maravilhosa, ainda hoje o conservo.
Depois foi um "devorar" contínuo de todas as obras que tive o prazer de aceder, os grandes clássicos universais: "A Paixão de Jane Eyre", de Charlotte Brontê; "Humilhados e Ofendidos"; "O Jogador"; " Os Irmãos Karamazov", de Dostoievsh; "O Vermelho e o Negro" de Sendhal; "Guerra e Paz" de Leo Tolstoi; "E Tudo o Vento Levou" de Margaret Mitchell"; "Náná" de Émile Zola, passando pelos nossos clássicos: "Os Maias"; "A Ilustre Casa dos Ramires"; "A Relíquia"; "O Crime do Padre Amaro" de Eça de Queirós. Também as obras de Júlio Dinis: "A Morgadinha dos Canaviais"; "Uma Família Inglesa"; "Os Fidalgos da Casa Mourisca". De Miguel Torga: "Os Bichos"; "Contos da Montanha", de Camilo Castelo Branco: "Amor de Perdição"; "Retrato de Ricardina"; "A Casa da Malta" de Fernando Namora, fazendo referência a algumas das centenas de obras que já li. Passando aos contemporâneos , alguns brasileiros, entre os quais destaco Jorge Amado, com obras admiráveis e algumas no mínimo deliciosas: "Teresa Batista Cansada da Guerra"; " Gabriela Cravo e Canela";São Jorge dos Ilhéus" e o meu preferido, o primeiro que li deste escritor:"Meninos da Areia". Erico Veríssimo com "Ana Terra", uma história brutal. Outro autor, este moçambicano, Mia Couto, "terra Sonâmbula", Miguel Sousa Tavares, "Equador" e "Rio das Flores" maravilhosos, José Saramago, "Memorial do Convento", "O Ano da Morte de Ricardo Reis", Tiago Rebelo, "Romance em Amesterdão", "O Último Ano em Angola", isto para nomear alguns.
Na literatura estrangeira, Marguerite Yourcenar, "Memórias de Adriano", Jung Chang; "Cisnes Selvagens", Gabriel Garcia Marquez; "O Amor em Tempos de Cólera", Isabel Allende, "A Casa dos espíritos" e tantos mais, tornar-se ia maçador enumerá-los.
Gosto praticamente de todo o género literário, ainda que dê preferência ao romance, leio com prazer biografias: "Queimada Viva"de Souad, autobiografias: "Viagens Contra a Indiferença" de Fernando Nobre, poesia: "Sonetos" de Florbela Espanca", filosofia: "Assim Falava Zaracrusta" de Nietzsche, de viagens: "Sul" de Miguel Sousa Tavares, estes foram usados como referência. Obras científicas e históricas também me despertam interesse.Tenho o privilégio de possuir quase três centenas de obras, algumas, poucas, foram lidas apenas uma vez, a grande maioria foi lida e relida duas ou mais vezes, com interregnos por vezes de dez ou mais anos, resultando dai um aprofundamento da obra. Sou sócia de uma biblioteca, o que me permite aceder, sempre que sinto esse apelo, a outras obras.
Os livros são os meus amigos mais íntimos, os que nunca me desiludem nem traem, aos quais me dou, numa entrega total mas não incondicional, por eles e com eles transfiguro-me e incarno qualquer personagem com que me identifico e vivo experiências e emoções de amor/ódio; guerra/paz; drama/tragédia; desejo/entrega; sexo/sedução; ridículo/cómico; religioso/profano; poder/miséria; mistério/esotérico; tolerância/rejeição, alegria/tristeza, em suma, a amalgama de tudo o que faz aquilo que somos:humanos.
Com eles viajo a qualquer hora, para qualquer lugar do mundo, por mais recôndito que seja, sem fronteiras/barreiras, liberto-me de tabus/preconceitos, por eles e com eles quase sacio a minha ânsia de saber e alargo os horizontes da mente e do espírito. Que mais se pode pedir a um amigo especial?
Quando prescindimos dos seus favores, fica num canto, silencioso, aguardando ser solicitado a dar-nos prazer, a levar-nos seja para onde for, com este amigo nunca estamos sós, só quem tem amigos assim sabe do que falo.

sábado, 21 de março de 2009

Frágil


Tinha um cristal
dentro do peito.

Tão frágil !
Tão delicado!

Estremecia com o sussurro da tua voz
tilintava quando um pouco a elevavas.

Um dia partiu-se
em mil pedaços
quando mais alto falaste.
Era tão frágil.

sábado, 7 de março de 2009

A VIDA É...




A vida é uma oportunidade, aproveita-a.

A vida é beleza, admira-a.

A vida é beatificação, saboreia-a.

A vida é sonho, torna-o realidade.

A vida é um desafio, enfrenta-o.

A vida é um dever, cumpre-o.

A vida é um jogo, joga-o.

A vida é preciosa, cuida-a.

A vida é riqueza, conserva-a.

A vida é amor, goza-o.

A vida é um mistério, desvenda-o.

A vida é promessa, cumpre-a.

A vida é tristeza, supera-a.

A vida é um hino, canta-o.

A vida é um combate, aceita-o.

A vida é aventura, afronta-a.

A vida é felicidade, merece-a.

A vida é VIDA, defende-a.



Madre Teresa de Calcutá







sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Evasão

                                                                
                                                 
Tenho um espírito vagabundo
num corpo acorrentado.
Um quer correr o mundo
o outro fica atormentado.

Alargo o olhar pela janela
com desejos de partir.
Ver uma barca, ir nela
novos mundos descobrir.

O desejo de partir
não o posso alcançar.
Não sou livre de pedir
criei raízes no lar.
                                            

 

Jogo


Deixa as palavras onde estão
imóveis desarmadas
não lhes agites os demónios
que nelas dormem
ávidos de despertar.

Não fales do que és
nem descrevas coisa alguma
preserva em ti e nos outros
o que é intocável.

Não deixes que as palavras desfigurem
que as palavras mutilem
que as palavras viciem
que as palavras mintam
que as palavras sejam peças
de um jogo, cujo desfecho
seja xeque-mate.












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domingo, 15 de fevereiro de 2009

O Criador

Aproxima-te de mim, aproxima-te de mim.
Faz o que sabes, faz o que tens a fazer, faz o que for preciso.
Reza um terço. Beija uma pedra. Curva-te para o Oriente. Entoa um cântico. Balança um pêndulo. Testa um músculo. Escreve um livro.
Faz o que for preciso, cada um de vós entende-Me, criou-Me à sua própria maneira.
Para alguns sou homem, para alguns sou mulher, para alguns sou ambos, para alguns não sou uma coisa nem outra. Para alguns sou energia pura, para alguns sou o sentimento supremo a que chamam amor.
E alguns de vocês não fazem ideia de quem Eu Sou, sabem simplesmente que Eu Sou.
E assim é. Eu Sou. Sou o vento que roça nos cabelos, Sou o sol que vos aquece o corpo,
Sou a chuva que vos dança no rosto. Sou o aroma das flores no ar e sou as flores que exalam a sua fragrância. Sou o ar que a transporta.
Sou o princípio do vosso primeiro pensamento. Sou o fim do último. Sou a ideia que iluminou o vosso momento mais brilhante. Sou a glória da sua realização. Sou o sentimento que alimentou a coisa mais amorosa que jamais fizeram. Sou a parte de vós que anseia por esse sentimento repetidamente.

Desconheço o autor do texto, mas quis partilhá-lo porque o acho maravilhoso.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

"Queimada viva" Souad





Este livro, documento misto de autobiografia e biografia, narra acontecimentos verídicos e brutais, vividos por uma mulher, num país onde ser mulher já é fatídico. Na Cisjordânia, seu país natal, esta mulher teve a ousadia de manter relações sexuais, que por si já é crime sendo solteira, mas engravidando deu o direito à família e à comunidade de a condenar à morte. Foi regada com gasolina, e incendiada, sobreviveu, porque outra mulher, pelo seu amor incondicional, pela sua entrega total a uma causa (Defesa dos Direitos Humanos), a resgatou, permitindo que este livro fosse publicado e chegassem ao nosso conhecimento as tradições ultrajantes que provocam tanto sofrimento e morte a milhares de mulheres.


"um livro pungente, uma viagem aos limites do terror" France Dimanche